O que explica o revés de Romero Rodrigues, Mersinho Lucena e Luiz Couto na eleição para a Câmara


A eleição para a Câmara dos Deputados provocou mudanças importantes na representação da Paraíba em Brasília. Entre os nomes que não conseguiram renovar o mandato estão Romero Rodrigues (Podemos), Mersinho Lucena (PSD) e Luiz Couto (PT).

Apesar de terem trajetórias e bases eleitorais diferentes, os três casos têm algo em comum: a eleição mostrou que, em uma disputa proporcional cada vez mais acirrada, força política, mandato e reconhecimento do eleitorado não são suficientes por si só.

Romero Rodrigues: votação expressiva, mas sem a cadeira

O caso de Romero Rodrigues chama atenção pelo contraste entre sua votação e o resultado final.

O ex-prefeito de Campina Grande obteve uma votação próxima dos 100 mil votos. Na apuração, apareceu com 96.407 votos, desempenho que o colocou entre os candidatos mais votados do estado. Ainda assim, o resultado não foi suficiente para garantir uma das 12 vagas.

O fator decisivo foi o desempenho do Podemos, que conquistou apenas uma cadeira, ocupada por Ruy Carneiro.

Romero acabou, portanto, vítima de uma característica do sistema proporcional: uma boa votação individual não necessariamente se transforma em mandato quando a legenda não alcança força suficiente para ampliar sua representação.

Para Campina Grande, o resultado tem peso político. Romero construiu uma trajetória de protagonismo na cidade, foi prefeito e deputado federal e permaneceu como uma das principais lideranças do município.

A nova configuração da bancada, entretanto, reduz sua presença direta em Brasília e abre espaço para uma reacomodação das forças políticas campinenses.

Mersinho Lucena: o desafio de manter espaço

A situação de Mersinho Lucena passa por outro cenário.

Integrante da atual bancada federal, o parlamentar tentou renovar seu mandato, mas não conseguiu alcançar votação suficiente dentro da composição do PSD.

Mersinho terminou a disputa com pouco mais de 57 mil votos, enquanto Wellington Roberto garantiu a cadeira do partido.

O resultado representa um revés para o grupo político ligado à família Lucena e, particularmente, para a estratégia de manutenção de uma representação forte de João Pessoa na Câmara.

A eleição também demonstrou que a disputa pela bancada federal ficou mais pulverizada. Novas candidaturas conseguiram ocupar espaços que antes estavam nas mãos de parlamentares com mandato.



Luiz Couto: a volta de Ricardo Coutinho muda o cenário

O caso de Luiz Couto tem uma particularidade evidente: a volta de Ricardo Coutinho ao cenário eleitoral.

Candidato pelo PT, o ex-governador conquistou uma das maiores votações da eleição, ultrapassando 160 mil votos e garantindo o retorno à Câmara dos Deputados.

Com a presença de Ricardo na disputa, o espaço eleitoral do PT paraibano passou a ser ocupado por uma candidatura de enorme densidade política.

Luiz Couto, que acumulou uma longa trajetória no Congresso Nacional, acabou não conseguindo acompanhar esse desempenho.

Mais do que uma simples mudança de nomes, o resultado representa uma reorganização interna do campo petista na Paraíba. Ricardo retorna a Brasília com uma votação expressiva, enquanto Couto deixa de integrar a bancada federal.

O que os três resultados revelam

Os três casos ajudam a explicar a dinâmica da eleição de 2026.

Romero Rodrigues mostrou que votação individual elevada pode não ser suficiente quando a legenda conquista poucas cadeiras.

Mersinho Lucena enfrentou uma disputa mais apertada dentro do PSD e não conseguiu alcançar o desempenho necessário para permanecer na Câmara.

Já Luiz Couto teve pela frente uma concorrência de peso dentro do próprio campo político, com o retorno de Ricardo Coutinho.

São situações diferentes, mas que apontam para uma mesma conclusão: a renovação da bancada paraibana foi resultado tanto do surgimento de novas candidaturas quanto da reorganização das forças partidárias tradicionais.

A nova correlação de forças

A próxima bancada federal terá 12 representantes, sendo nove reeleitos e três novos parlamentares: Ricardo Coutinho, George Morais e Pollyanna Werton.

A mudança não representa uma ruptura completa, mas altera o equilíbrio entre os grupos políticos.

O retorno de Ricardo Coutinho recoloca uma liderança histórica do PT no Congresso. George Morais amplia a presença do grupo ligado aos Morais, enquanto Pollyanna Werton chega à Câmara como uma nova representante feminina da Paraíba.

Ao mesmo tempo, a ausência de Romero Rodrigues, Mersinho Lucena e Luiz Couto deixa três espaços políticos que certamente serão disputados nos próximos anos.

Um novo mapa político para 2027

Mais do que apontar vencedores e perdedores, o resultado das urnas desenha um novo mapa de forças na política paraibana.

Em Campina Grande, a saída de Romero da bancada federal abre uma discussão sobre quem ocupará o espaço de liderança deixado pelo ex-prefeito.

Em João Pessoa, o resultado de Mersinho exige uma reorganização do grupo político dos Lucena.

No campo progressista, a chegada de Ricardo Coutinho modifica novamente o equilíbrio interno do PT e de seus aliados.

A eleição de 2026, portanto, não terminou apenas com a definição dos 12 deputados federais. Ela também abriu uma nova disputa pelo protagonismo político da Paraíba.

Papo Informativo — informação, análise e política da Paraíba.

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