O revés de Vitor Ribeiro e a conta política para Bruno Cunha Lima



O candidato apoiado pelo prefeito Bruno Cunha Lima, Vitor Ribeiro, sofreu um revés eleitoral que já repercute nas rodas de conversa política de Campina Grande. A derrota do jovem candidato, apesar da intensa participação do prefeito em sua campanha, acabou atingindo diretamente o grupo político comandado por Bruno.

Durante a campanha, Bruno Cunha Lima assumiu pessoalmente a missão de impulsionar a candidatura de Vitor Ribeiro. Onde Vitor estava, o prefeito também aparecia. Bruno percorreu bairros da cidade ao lado do candidato, participou de visitas e chegou a bater de porta em porta, pedindo votos para aquele que era apresentado como seu principal nome para a Assembleia Legislativa da Paraíba.

Todo esse empenho, porém, não foi suficiente para garantir a eleição de Vitor.

Em Campina Grande, Vitor Ribeiro obteve 10.705 votos, ficando como o quinto candidato a deputado estadual mais votado na cidade. No total da Paraíba, alcançou 12.574 votos. Apesar de uma votação expressiva, o desempenho não foi suficiente para assegurar uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Um dos efeitos mais comentados dessa votação foi o impacto sobre Tovar Correia Lima, que também não conseguiu a reeleição. A força eleitoral de Vitor em Campina Grande acabou disputando espaço diretamente com outros nomes ligados ao mesmo campo político, evidenciando uma divisão de votos que, ao final, não foi suficiente para garantir a eleição de nenhum dos dois.

Mas o resultado de Vitor Ribeiro pode ser lido para além da derrota individual do candidato. Politicamente, a votação acende um sinal de alerta para Bruno Cunha Lima.

O prefeito colocou seu capital político à disposição da candidatura de Vitor. Por isso, o resultado inevitavelmente passa a ser interpretado como um teste à força eleitoral de Bruno na principal cidade do interior paraibano. A pergunta que fica é simples: se o prefeito ainda estivesse vivendo um momento de grande força política em Campina Grande, seria necessário tanto esforço para garantir a eleição de seu candidato?

A eleição de 2026 também deixou uma conta mais ampla para a família Cunha Lima.

O grupo entrou dividido em diferentes projetos na eleição majoritária e terminou o pleito acumulando derrotas importantes. Romero Rodrigues não conseguiu retornar ao cenário que pretendia, Tovar Correia Lima perdeu a reeleição e o candidato escolhido por Bruno Cunha Lima para a Assembleia Legislativa também ficou pelo caminho.

Até mesmo a votação de Cícero Lucena em Campina Grande merece atenção. O prefeito de João Pessoa contou com uma composição que tinha Diogo Cunha Lima, filho de Cássio Cunha Lima, em sua chapa, mas isso não se transformou em uma votação expressiva na cidade.

No caso de Efraim Filho, seu desempenho em Campina Grande também precisa ser analisado com cautela. A força do bolsonarismo na cidade parece ter exercido papel relevante em sua votação, assim como ajudou a impulsionar o deputado estadual Sargento Neto, que ampliou significativamente seu desempenho em comparação com a eleição anterior.

Isso mostra que parte do eleitorado de Campina Grande parece ter se movimentado muito mais por forças ideológicas e nacionais do que necessariamente seguindo as orientações das lideranças políticas locais.



A lição das urnas

A eleição de 2026 deixa, portanto, uma mensagem incômoda para Bruno Cunha Lima e para o grupo Cunha Lima: a máquina política, a presença do prefeito e o peso de uma família tradicional já não são, por si só, garantia de vitória eleitoral em Campina Grande.

O resultado não significa que Bruno tenha perdido completamente sua força política. Mas revela que essa força precisa ser novamente testada, reconstruída e, principalmente, convertida em votos.

Vitor Ribeiro não conseguiu chegar à Assembleia, apesar de ter recebido o apoio direto do prefeito. Tovar perdeu a reeleição. Romero sofreu uma derrota importante. E o grupo, que durante décadas teve enorme influência sobre o eleitorado campinense, terminou a eleição diante de um cenário que exige reflexão.

Mais do que uma derrota de candidatos, 2026 pode ter representado um ponto de inflexão para o grupo Cunha Lima em Campina Grande.

As urnas não decretaram o fim de uma liderança, mas deixaram um recado claro: o eleitor campinense está mais disputado, mais fragmentado e menos previsível. E, daqui para frente, Bruno Cunha Lima terá que provar novamente que consegue transformar sua liderança política em votos — não apenas para seus aliados, mas para o próprio projeto político da família Cunha Lima.

🗞️ Redação do papo informativo

Especialistas avaliam que reajuste do Bolsa Família pode preservar votos de Lula, mas terá efeito limitado
Aumento de 15,04% no benefício, anunciado às vésperas do primeiro turno, é visto como uma medida com potencial maior de fortalecer a base petista do que conquistar novos eleitores

O reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve ter impacto eleitoral restrito, segundo especialistas ouvidos pelo Valor. A avaliação é de que a medida pode contribuir para manter o apoio entre beneficiários que já se identificam com o petista, mas dificilmente provocará uma mudança expressiva na preferência do eleitorado.

A atualização foi anunciada na quinta-feira (18), a 17 dias do primeiro turno. Com o aumento de 15,04%, o valor mínimo do programa passará de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio será elevado de R$ 675 para R$ 777. Os pagamentos com os novos valores estão previstos para começar em 19 de outubro, seis dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

De acordo com o governo, a correção busca recompor a inflação acumulada desde a reformulação do programa, em 2023. O decreto também prevê mudanças nos benefícios adicionais. O Ministério do Planejamento estima impacto de R$ 5,8 bilhões nas contas públicas em 2026 e de R$ 22,7 bilhões em 2027.



Ao anunciar a medida, Lula afirmou que o governo está “cuidando de quem precisa” e relacionou o reajuste às ações de combate à fome e à pobreza.

Avaliação aponta fortalecimento da base petista

Para Maurício Moura, fundador do Instituto Ideia, o alcance eleitoral do reajuste tende a ser pequeno porque o Bolsa Família já atende um público que, em sua maioria, demonstra preferência por Lula.

Na avaliação do especialista, a medida pode ajudar a preservar o apoio ao presidente, mas não representa uma estratégia de ampliação significativa do eleitorado petista.

Moura também estabeleceu uma comparação com 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro ampliou o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600. Segundo ele, naquele momento havia uma tentativa de conquistar eleitores menos alinhados ao grupo político de Bolsonaro. O cenário atual seria diferente, já que o Bolsa Família concentra beneficiários com maior identificação com Lula e o PT.

O especialista destacou ainda que, no Nordeste, região onde o presidente possui uma base eleitoral consolidada, a redução da abstenção pode ser mais importante para o resultado da disputa do que a conquista de novos votos por meio do reajuste.

Economista vê possibilidade de impacto em disputa acirrada

O economista Maurício Canêdo Pinheiro, professor associado da FCE/Uerj e autor de estudo sobre os efeitos eleitorais do Bolsa Família, considera que o aumento poderá ser percebido pelos beneficiários como uma melhora relevante na renda.

Para ele, uma elevação de 15% no benefício pode produzir uma percepção positiva entre os eleitores, especialmente em um cenário de inflação mais moderada.

O economista avalia que a medida pode ajudar Lula a reduzir eventuais perdas de apoio entre eleitores de baixa renda e nordestinos, mas não necessariamente provocar uma transferência ampla de votos para o presidente.

Canêdo Pinheiro ressalta que, em uma eleição equilibrada, mesmo uma alteração pequena na preferência do eleitorado pode ter consequências importantes. No entanto, o especialista afirma que não é possível determinar antecipadamente se o reajuste será decisivo para o resultado.

Candidatos criticam anúncio antes da eleição

O reajuste também provocou reação entre adversários de Lula.

Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, classificou o aumento como uma “merreca” e acusou o governo de tentar “comprar o voto do pobre”. Apesar das críticas, o senador declarou que, se eleito, pretende manter o Bolsa Família e o reajuste anunciado.

Flávio também procurou se diferenciar da iniciativa do deputado Zé Trovão (PL-SC), que apresentou uma representação contra o aumento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A ação foi extinta no mesmo dia pelo ministro André Mendonça.

Renan Santos, candidato pelo partido Missão, também questionou o momento do reajuste e ingressou com uma ação no TSE, classificando a medida como eleitoreira.

Pesquisas mostram vantagem de Lula entre beneficiários

Levantamentos divulgados antes do anúncio do reajuste mostram que Lula ainda apresenta vantagem entre eleitores de baixa renda e beneficiários do programa social, embora a distância para Flávio tenha apresentado alterações.

Na pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (14), Lula registrou 51% das intenções de voto entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos nas três rodadas do levantamento. Flávio Bolsonaro passou de 29%, em 2 de setembro, para 32%.

Entre os eleitores nordestinos, Lula oscilou de 62% para 60%, enquanto Flávio permaneceu com 28%.

Já o Datafolha, em pesquisa divulgada na quinta-feira (17), apontou que Lula tinha 60% das intenções de voto entre beneficiários do Bolsa Família em um eventual segundo turno, contra 33% de Flávio. A maior parte das entrevistas, porém, foi realizada antes do anúncio do reajuste.

Sinalização política pode pesar mais que o ganho financeiro

O professor de Ciência Política da USP Sérgio Simoni Jr., que estudou os efeitos eleitorais do Bolsa Família em sua pesquisa de doutorado, interpreta o anúncio como uma possível mudança de estratégia do governo diante do cenário eleitoral.

Segundo o pesquisador, a administração federal vinha priorizando uma agenda de ajuste fiscal, mas passou a adotar uma postura de maior atenção ao eleitorado de baixa renda após pesquisas apontarem redução da vantagem de Lula sobre Flávio.

Simoni explica que programas de transferência de renda podem influenciar o comportamento eleitoral por dois caminhos: a melhora efetiva na situação financeira dos beneficiários e a percepção de que o governo demonstra compromisso com esse grupo.

Como os novos valores serão pagos próximos ao segundo turno, o efeito econômico direto será observado em um período curto. Nesse contexto, o professor avalia que a mensagem política transmitida pelo reajuste pode ter papel relevante, inclusive alcançando familiares e pessoas próximas dos beneficiários.

Ainda assim, os especialistas ouvidos pelo Valor não apontam o reajuste como garantia de mudança no cenário eleitoral. O efeito concreto da medida dependerá, entre outros fatores, da percepção dos eleitores e da evolução da disputa até a votação.

🗞️ Redação do papo informativo com informações do Valor econômico

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A eleição da Paraíba entra na reta final com Lucas Ribeiro em alta, Cícero Lucena pressionado e Efraim Filho em busca de uma virada
A duas semanas do primeiro turno, Lucas Ribeiro, Cícero Lucena e Efraim Filho disputam os votos dos indecisos. Lucas aposta no voto útil para tentar vencer no primeiro turno; Cícero luta para chegar à segunda etapa; e Efraim busca ampliar seu eleitorado para além do bolsonarismo.

Por: Ricardo Meneses


A eleição para o Governo da Paraíba entra na fase decisiva. Lucas Ribeiro, Cícero Lucena e Efraim Filho percorrem o Estado em busca dos votos ainda indefinidos, cada um enfrentando um desafio específico.

Lucas tenta transformar o crescimento nas pesquisas em vitória no primeiro turno. Cícero busca recuperar espaço para chegar à segunda etapa, enquanto Efraim aposta no bolsonarismo e no discurso da segurança pública, mas precisa ampliar sua base para além desse eleitorado.

A distribuição regional dos votos pode definir o resultado. Lucas tem força no Sertão e em Campina Grande, mas precisa avançar em João Pessoa. Cícero mantém a capital como principal reduto, embora enfrente dificuldades em Campina Grande e no interior. Efraim é competitivo entre os eleitores bolsonaristas, mas ainda precisa romper os limites de sua identificação política.

Lucas Ribeiro tenta transformar a liderança em vitória no primeiro turno

Lucas Ribeiro parece ter encontrado o equilíbrio necessário para a campanha. O marketing passou a combinar juventude, experiência administrativa e continuidade da gestão do governador João Azevêdo.

A imagem de um candidato jovem, mas com experiência na vice-governadoria, dialoga com eleitores que desejam renovação sem romper com a atual administração. A estratégia também busca alcançar os jovens e os eleitores que votarão pela primeira vez. Lucas apresenta a juventude como ativo político, mas reforça que conhece a máquina pública e está preparado para governar.

Entre as mulheres, a participação de Camila Mariz, sua esposa, e Daniela Ribeiro, sua mãe, tornou-se um dos pontos centrais da campanha. As duas ajudam a aproximar o candidato do eleitorado feminino e a construir uma imagem familiar. Nesse aspecto, Camila e Daniela têm mais destaque que Lígia Feliciano, que ocupa posição menos relevante nessa estratégia.

A distribuição dos protagonistas indica quais públicos a campanha considera prioritários.

O peso de João Azevêdo e o discurso de continuidade

João Azevêdo é um dos principais ativos eleitorais de Lucas Ribeiro. O governador ajuda a conquistar eleitores que reconhecem os resultados da atual administração.

O discurso de que a Paraíba não deve “voltar ao passado” estabelece uma divisão entre continuidade e mudança de grupo político. A mensagem pode alcançar eleitores sem forte identificação ideológica, mas que valorizam estabilidade administrativa.

O presidente Lula, por outro lado, não tem funcionado como o principal motor eleitoral esperado em uma disputa estadual. Sua imagem não impulsiona de forma decisiva todas as candidaturas que tentam associá-la ao presidente.

Na Paraíba, Lula parece ser mais importante para Veneziano Vital do Rêgo, que depende dessa associação para tentar garantir a reeleição ao Senado.

Lucas ainda precisa transformar o crescimento em voto útil. Se convencer os eleitores de que é o candidato com maior chance de vitória, poderá ampliar a vantagem e tentar encerrar a disputa no primeiro turno.

As últimas pesquisas indicam que essa possibilidade existe. Para isso, porém, será necessário consolidar a liderança e atrair os indecisos.

Sertão e Campina Grande são trunfos; João Pessoa é o desafio

Lucas Ribeiro tem força no Sertão e em Campina Grande. A rede de prefeitos e a estrutura política construída durante a gestão oferecem vantagem nessas regiões.

O principal desafio está em João Pessoa, maior reduto de Cícero Lucena e região que concentra parcela decisiva do eleitorado. Por isso, Lucas intensificou sua agenda na cidade.

A estratégia é reduzir a diferença para Cícero ou tentar uma virada na capital. Se avançar em João Pessoa sem perder a vantagem no interior, Lucas poderá reunir condições para vencer no primeiro turno.

Mesmo sem liderar na capital, uma redução significativa da diferença fortaleceria sua posição no Estado.

Efraim Filho precisa ampliar a base construída pelo bolsonarismo

Efraim Filho construiu sua candidatura sobre uma base definida: o eleitorado bolsonarista. O candidato do PL também aposta no discurso da segurança pública, tema sensível para o eleitorado.

A criminalidade oferece espaço para propostas mais rigorosas de combate à violência, e Efraim tem explorado essa pauta. A militância bolsonarista mantém a candidatura competitiva nas pesquisas.

O desafio é alcançar eleitores que não se identificam com o bolsonarismo, especialmente parte do eleitorado lulista.

A filiação ao PL, partido de Jair Bolsonaro, dá a Efraim uma identidade clara, mas pode limitar sua expansão. O candidato escolheu essa legenda e precisa trabalhar dentro desse cenário.

O eleitorado lulista é expressivo na Paraíba, sobretudo no Sertão, onde Efraim enfrenta uma de suas maiores dificuldades. Ele pode crescer entre eleitores de direita e conquistar votos de candidatos em queda, mas terá dificuldade para romper a resistência do lulismo.

Campina Grande e João Pessoa oferecem espaço para crescimento

Em Campina Grande, Efraim é competitivo. O apoio do prefeito Bruno Cunha Lima e de seus aliados ajuda a mantê-lo em evidência.

A estrutura política local é um diferencial. Efraim aparece próximo de Cícero Lucena na disputa pela segunda colocação, mas ainda está distante de Lucas Ribeiro.

Em João Pessoa, o candidato também possui uma base bolsonarista relevante. Ela, porém, não parece suficiente para garantir uma vitória estadual.

Para transformar essa força em candidatura vencedora, Efraim precisa avançar em outras regiões.

A escolha da vice não produziu o efeito esperado

A escolha da vice-governadora era vista como uma forma de ampliar a presença da chapa entre as mulheres e fortalecer sua representação em Campina Grande.

Até agora, esse efeito não se confirmou com a intensidade esperada. A chapa ainda não produziu mudança expressiva na percepção eleitoral nem avançou sobre os adversários.

Cícero Lucena perdeu fôlego e luta contra o relógio

Cícero Lucena iniciou a disputa em posição favorável. Tinha o peso da prefeitura da capital, uma base consolidada em João Pessoa e o apoio parcial da família Cunha Lima.

A estrutura garantiu vantagem inicial, mas a campanha perdeu força. As últimas pesquisas indicam redução do desempenho de Cícero justamente na fase decisiva.

O problema não é apenas estar atrás de Lucas, mas não demonstrar crescimento suficiente para chegar ao segundo turno.

O desgaste político e a perda de apoios

Notícias envolvendo sua filha e aliados reacenderam a narrativa da eleição anterior sobre um suposto elo com facções criminosas.

As acusações devem ser tratadas com responsabilidade, sem antecipar conclusões ou atribuir culpa sem comprovação. Politicamente, porém, o impacto pode ser relevante. A associação da candidatura a suspeitas desse tipo prejudica sua imagem e reabre um problema que o grupo esperava ter superado.

Na leitura deste artigo, o episódio contribuiu para desgastar Cícero.

Efraim Filho poderia explorar esse flanco, mas não tem adotado confronto direto. Os dois candidatos mantêm uma disputa moderada e evitam ataques mais duros.

Essa postura pode beneficiar Lucas Ribeiro, que ocupa o espaço deixado pelos adversários. Em uma eleição apertada, evitar ataques pode demonstrar maturidade, mas também reduzir as chances de crescimento de quem precisa reagir rapidamente.

Cícero também enfrenta dificuldades para manter sua base política. A perda de apoios, como o vereador Guguinha, do Move Jampa, e três vereadores de Santa Rita, mostra que sua candidatura sofre com a movimentação dos bastidores.

Em uma eleição estadual, cada apoio municipal representa estrutura, mobilização e possível transferência de votos. A campanha precisa, portanto, impedir novas adesões a adversários.


João Pessoa é o principal reduto de Cícero; Campina Grande é seu maior desafio.

A candidatura conta com o apoio de Romero Rodrigues, Diogo Cunha Lima, Jhony Bezerra e Veneziano Vital do Rêgo. Ainda assim, a estrutura reunida na cidade não produziu o resultado esperado.

Campina Grande valoriza nomes ligados à cidade e às suas tradições. Cícero, por outro lado, tem sua imagem associada a João Pessoa. Essa característica dificulta sua aproximação com o eleitorado campinense, especialmente diante das estruturas de Lucas Ribeiro e Efraim Filho.

O apoio de Bruno Cunha Lima dá vantagem ao candidato do PL. Lucas também conta com uma rede expressiva de aliados e com a identificação de parte da cidade por ser de Campina Grande.

A escolha de Diogo Cunha Lima como vice também não alterou o cenário de forma significativa. Cícero precisa crescer em Campina Grande para continuar competitivo.

No Sertão, ele mantém uma base importante. Está atrás de Lucas Ribeiro, que conta com uma rede de prefeitos e lideranças locais, mas ainda preserva um capital político relevante.

A campanha concentra esforços em Campina Grande e no Sertão para tentar garantir a passagem ao segundo turno. A tarefa é crescer, não apenas manter os votos atuais.

A candidatura parece próxima de um limite eleitoral. Qualquer nova perda poderá comprometer o projeto. A falta de reação na reta final é o principal problema de Cícero.


A disputa reúne três candidaturas com forças e limitações distintas.

Lucas Ribeiro tem uma estrutura administrativa e política consolidada. Seu desafio é transformar essa vantagem em vitória no primeiro turno, reduzindo a diferença em João Pessoa sem perder força no interior.

Efraim Filho possui base ideológica fiel, militância mobilizada e força em Campina Grande e João Pessoa. Precisa, porém, alcançar eleitores que não se identificam com o bolsonarismo e avançar em regiões onde o lulismo é mais forte.

Cícero Lucena tem o peso da capital e um histórico político relevante, mas perdeu apoios e precisa recuperar espaço em Campina Grande e no Sertão.

A reta final será marcada pela expansão das bases. Lucas busca o voto útil; Efraim tenta ampliar seu alcance; e Cícero precisa recuperar o ritmo.

A questão central é quem conseguirá convencer os indecisos de que tem condições reais de vencer.

A eleição ainda pode registrar movimentos de última hora, mas o tempo favorece quem está na frente.

🗞️ Redação do papo informativo

Tovar e Vitor Ribeiro medem forças em Campina Grande e expõem disputa dentro do grupo Cunha Lima


Por Ricardo Meneses

A política de Campina Grande começa a revelar uma disputa que pode ser muito mais importante do que aparenta. Não se trata apenas de escolher quem terá uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026, mas de saber quem conseguirá ocupar o espaço eleitoral tradicionalmente associado ao grupo Cunha Lima.

O episódio mais recente foi bastante simbólico.

Enquanto Tovar Correia Lima reunia apoiadores em um evento em uma casa de festas, Vitor Ribeiro fazia uma caminhada no bairro das Três Irmãs, ao lado de Bruno Cunha Lima e de Efraim Filho. Os dois movimentos ocorreram praticamente no mesmo horário.

É difícil olhar para essa coincidência e não enxergar uma disputa por demonstração de força.

Não necessariamente porque tenha havido uma decisão deliberada de colocar os eventos frente a frente, mas porque os dois movimentos disputam, em alguma medida, o mesmo território político.

Tovar é deputado estadual e possui uma trajetória consolidada. Sargento Neto, também deputado, e Manoel Ludgério, suplente, igualmente fazem parte desse grupo de nomes já conhecidos do eleitorado campinense. Inclusive há quem diga que o prefeito de Campina Grande largou literalmente a mão de Sargento Neto e Manoel Ludgero.

Vitor Ribeiro chega como estreante, mas com uma característica que o coloca imediatamente no jogo: o apoio de Bruno Cunha Lima.

E é justamente aí que a eleição começa a ficar interessante.



Tovar está em outra trincheira

Tovar não está no mesmo palanque político de Bruno na disputa pelo Governo da Paraíba.

O deputado apoia Cícero Lucena, enquanto Bruno está alinhado a Efraim Filho. Essa divisão já foi identificada publicamente como parte do cenário político de Campina Grande.

Isso produz uma consequência natural: Tovar passou a fazer sua própria movimentação política.

E talvez seja esse o aspecto mais importante do evento.

Tovar não está apenas fazendo campanha para sua reeleição. Está também demonstrando que possui uma estrutura política própria e que pretende preservar seu espaço dentro do eleitorado campinense.

E Romero?

Romero Rodrigues acrescenta outra camada a essa equação.

O deputado federal é filiado ao Podemos, partido que integra a aliança de Lucas Ribeiro, mas decidiu apoiar pessoalmente Cícero Lucena. Essa posição o coloca, assim como Tovar, em uma situação diferente daquela adotada por Bruno na disputa pelo Governo.

Ao mesmo tempo, Romero e Bruno precisam manter uma relação política funcional em Campina Grande, até por questão de sobrevivência.

É a velha política da convivência.

Não significa que estejam no mesmo palanque para governador. Significa que interesses eleitorais diferentes podem exigir que determinadas pontes permaneçam de pé.

E é nesse ambiente que surge Vitor Ribeiro.

A novidade que mexe no tabuleiro

A grande incógnita é saber até onde Vitor conseguirá avançar.

Ele não precisa necessariamente “tirar votos” de Tovar, Sargento Neto ou Manoel Ludgério. O termo mais adequado talvez seja disputar um eleitorado que já possui representantes consolidados.

E essa disputa pode ser sentida principalmente dentro do próprio campo político que durante muito tempo teve os Cunha Lima como principal referência em Campina Grande, cenário esse que vem sofrendo mudanças gradativamente.

O evento de Tovar e a caminhada de Vitor, realizados simultaneamente, acabaram produzindo uma fotografia interessante dessa nova realidade.

De um lado, um deputado experiente tentando preservar seu espaço.

Do outro, um candidato estreante tentando construir o seu sendo puxado por uma estrutura gigantesca.

E, entre eles, diferentes alianças para a disputa majoritária.

O que está em jogo

A eleição ainda está no começo, mas uma coisa já parece evidente: a base política de Campina Grande não está falando com uma só voz.

Tovar está com Cícero.

Romero também apoia Cícero, embora seu partido esteja na aliança com a candidatura de Lucas Ribeiro.

Bruno apoia Efraim e, na disputa proporcional, aposta em Vitor Ribeiro.

Isso transforma o eleitorado do grupo Cunha Lima na rainha da borborema  em um dos principais palcos para observar como essas alianças funcionarão na prática.

No fim, a pergunta não será apenas quem conseguiu reunir mais pessoas em um evento.

Será quem conseguiu transformar presença em voto.

E essa resposta, por enquanto, ninguém tem.

A urna é que vai dar.

Outra pergunta que permanecerá até o final da eleição: “E com o resultado favorável para uns, desfavorável para outros, permanecerá a união do grupo Cunha Lima para a próxima eleição?”

Vou deixar a minha opinião: quem sobrar na curva dificilmente continuará no grupo Cunha Lima, o aliado de hoje poderá ser o rival político de amanhã!