Tovar e Vitor Ribeiro medem forças em Campina Grande e expõem disputa dentro do grupo Cunha Lima


Por Ricardo Meneses

A política de Campina Grande começa a revelar uma disputa que pode ser muito mais importante do que aparenta. Não se trata apenas de escolher quem terá uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026, mas de saber quem conseguirá ocupar o espaço eleitoral tradicionalmente associado ao grupo Cunha Lima.

O episódio mais recente foi bastante simbólico.

Enquanto Tovar Correia Lima reunia apoiadores em um evento em uma casa de festas, Vitor Ribeiro fazia uma caminhada no bairro das Três Irmãs, ao lado de Bruno Cunha Lima e de Efraim Filho. Os dois movimentos ocorreram praticamente no mesmo horário.

É difícil olhar para essa coincidência e não enxergar uma disputa por demonstração de força.

Não necessariamente porque tenha havido uma decisão deliberada de colocar os eventos frente a frente, mas porque os dois movimentos disputam, em alguma medida, o mesmo território político.

Tovar é deputado estadual e possui uma trajetória consolidada. Sargento Neto, também deputado, e Manoel Ludgério, suplente, igualmente fazem parte desse grupo de nomes já conhecidos do eleitorado campinense. Inclusive há quem diga que o prefeito de Campina Grande largou literalmente a mão de Sargento Neto e Manoel Ludgero.

Vitor Ribeiro chega como estreante, mas com uma característica que o coloca imediatamente no jogo: o apoio de Bruno Cunha Lima.

E é justamente aí que a eleição começa a ficar interessante.



Tovar está em outra trincheira

Tovar não está no mesmo palanque político de Bruno na disputa pelo Governo da Paraíba.

O deputado apoia Cícero Lucena, enquanto Bruno está alinhado a Efraim Filho. Essa divisão já foi identificada publicamente como parte do cenário político de Campina Grande.

Isso produz uma consequência natural: Tovar passou a fazer sua própria movimentação política.

E talvez seja esse o aspecto mais importante do evento.

Tovar não está apenas fazendo campanha para sua reeleição. Está também demonstrando que possui uma estrutura política própria e que pretende preservar seu espaço dentro do eleitorado campinense.

E Romero?

Romero Rodrigues acrescenta outra camada a essa equação.

O deputado federal é filiado ao Podemos, partido que integra a aliança de Lucas Ribeiro, mas decidiu apoiar pessoalmente Cícero Lucena. Essa posição o coloca, assim como Tovar, em uma situação diferente daquela adotada por Bruno na disputa pelo Governo.

Ao mesmo tempo, Romero e Bruno precisam manter uma relação política funcional em Campina Grande, até por questão de sobrevivência.

É a velha política da convivência.

Não significa que estejam no mesmo palanque para governador. Significa que interesses eleitorais diferentes podem exigir que determinadas pontes permaneçam de pé.

E é nesse ambiente que surge Vitor Ribeiro.

A novidade que mexe no tabuleiro

A grande incógnita é saber até onde Vitor conseguirá avançar.

Ele não precisa necessariamente “tirar votos” de Tovar, Sargento Neto ou Manoel Ludgério. O termo mais adequado talvez seja disputar um eleitorado que já possui representantes consolidados.

E essa disputa pode ser sentida principalmente dentro do próprio campo político que durante muito tempo teve os Cunha Lima como principal referência em Campina Grande, cenário esse que vem sofrendo mudanças gradativamente.

O evento de Tovar e a caminhada de Vitor, realizados simultaneamente, acabaram produzindo uma fotografia interessante dessa nova realidade.

De um lado, um deputado experiente tentando preservar seu espaço.

Do outro, um candidato estreante tentando construir o seu sendo puxado por uma estrutura gigantesca.

E, entre eles, diferentes alianças para a disputa majoritária.

O que está em jogo

A eleição ainda está no começo, mas uma coisa já parece evidente: a base política de Campina Grande não está falando com uma só voz.

Tovar está com Cícero.

Romero também apoia Cícero, embora seu partido esteja na aliança com a candidatura de Lucas Ribeiro.

Bruno apoia Efraim e, na disputa proporcional, aposta em Vitor Ribeiro.

Isso transforma o eleitorado do grupo Cunha Lima na rainha da borborema  em um dos principais palcos para observar como essas alianças funcionarão na prática.

No fim, a pergunta não será apenas quem conseguiu reunir mais pessoas em um evento.

Será quem conseguiu transformar presença em voto.

E essa resposta, por enquanto, ninguém tem.

A urna é que vai dar.

Outra pergunta que permanecerá até o final da eleição: “E com o resultado favorável para uns, desfavorável para outros, permanecerá a união do grupo Cunha Lima para a próxima eleição?”

Vou deixar a minha opinião: quem sobrar na curva dificilmente continuará no grupo Cunha Lima, o aliado de hoje poderá ser o rival político de amanhã!