A derrota de Romero Rodrigues e a lição que as urnas deixaram para 2026



Por Ricardo Meneses

A derrota de Romero Rodrigues nas eleições do último domingo ainda repercute nas rodas de conversa da política paraibana. E, naturalmente, o resultado ganha uma dimensão ainda maior quando analisado a partir de Campina Grande, principal reduto eleitoral do ex-prefeito e deputado federal.

Os números ajudam a entender o tamanho do recuo.

Em 2022, Romero recebeu 69.292 votos em Campina Grande, o equivalente a 32,42% dos votos válidos para deputado federal no município. Quatro anos depois, em 2026, sua votação caiu para 51.973 votos, correspondentes a 22,78%.

Na prática, foram 17.319 votos a menos na cidade.

Mas o que explica essa queda?

O desgaste provocado pela indefinição de 2024

Um dos fatores que precisam ser considerados é o desgaste político provocado pela indefinição em torno da eleição municipal de 2024.

Naquele período, havia uma expectativa considerável em setores da oposição de que Romero Rodrigues disputasse novamente a Prefeitura de Campina Grande. Isso, porém, não aconteceu.

O espaço político da oposição acabou sendo ocupado por Jhony Bezerra, que se tornou o principal adversário do prefeito Bruno Cunha Lima na disputa municipal.

Mesmo sem vencer a eleição, Jhony saiu de 2024 fortalecido politicamente. A candidatura à Prefeitura lhe proporcionou visibilidade, estrutura política e uma base eleitoral própria.

Esse capital político foi levado para a eleição de 2026, quando Jhony disputou uma vaga para deputado federal e obteve aproximadamente 15 mil votos em Campina Grande.

Ou seja, a eleição municipal de 2024 produziu novos atores e novas forças políticas dentro da cidade. E, dois anos depois, esse cenário também passou a influenciar a disputa proporcional.

Parte dos apoios e votos que poderiam estar no campo de Romero passou a ser disputada por outras lideranças.



O chamado “fogo amigo”

Outro elemento importante está dentro do próprio grupo político de Romero.

Na eleição deste ano, alguns aliados também disputaram vagas para deputado federal, concorrendo diretamente pelo mesmo eleitorado de Romero em Campina Grande.

Entre eles estavam:

Carol Gomes: 7.037 votos
Alexandre do Sindicato: 4.185 votos
Nelson Gomes: 3.874 votos
Gerana Gouveia: 3.173 votos

Juntos, eles somaram 18.269 votos em Campina Grande.

É evidente que não se pode afirmar que todos esses votos seriam necessariamente destinados a Romero. Eleições proporcionais possuem dinâmicas próprias, e cada candidato constrói sua votação com base em relações políticas, grupos, segmentos e estratégias diferentes.

Ainda assim, o fenômeno revela algo importante: a base eleitoral que antes poderia estar mais concentrada em torno de Romero passou a ser disputada por outros nomes do seu próprio campo político.

É o chamado “fogo amigo” da política: aliados que, ao fortalecerem seus próprios projetos eleitorais, também acabam disputando espaço dentro da mesma base.

Ruy Carneiro e a expansão da disputa para o entorno de Campina

Outro episódio que merece atenção é a atuação do deputado estadual Fábio Ramalho, que levou Ruy Carneiro para dentro da região metropolitana de Campina Grande, estabelecendo alianças e dobradinhas em municípios vizinhos.

A estratégia merece ser observada porque mostra que a disputa pelo eleitorado campinense não ficou restrita aos limites territoriais da cidade.

Ruy Carneiro terminou a eleição com 102.885 votos, enquanto Romero Rodrigues alcançou 96.445.

A diferença foi de 6.440 votos favoráveis a Ruy.

O resultado demonstra que Romero, apesar de ainda possuir uma força eleitoral significativa, deixou de ter uma posição confortável diante de adversários que passaram a ocupar espaços tradicionalmente associados ao seu grupo.

A principal lição para Romero

Talvez a maior lição deixada pelas urnas para Romero Rodrigues seja justamente a necessidade de desconcentrar sua força eleitoral.

Durante anos, Campina Grande foi uma espécie de fortaleza política de Romero. E continua sendo. Mesmo com a queda, ele permanece como uma das principais lideranças eleitorais da cidade.

O problema é que, em uma eleição proporcional, depender excessivamente de um único reduto pode se transformar em vulnerabilidade.

Quanto mais concentrado está o voto, mais fácil é para os adversários identificarem onde está a força de determinado candidato — e, consequentemente, trabalharem para retirar parte desse eleitorado.

Foi o que a eleição deste ano demonstrou.

Romero ainda possui capital político, mas esse capital precisa ser ampliado territorialmente.

A partir de agora, o caminho mais estratégico talvez seja buscar uma presença mais forte em outras regiões da Paraíba, ampliar alianças, construir novas bases e reduzir a dependência do eleitorado campinense.

Recalcular a rota

A política também exige capacidade de interpretar derrotas.

Romero Rodrigues não saiu das urnas sem votos. Pelo contrário. Foram 96.445 votos em toda a Paraíba. O resultado, porém, acende um sinal de alerta para uma liderança que durante muito tempo teve Campina Grande como seu principal motor eleitoral.

A derrota pode representar menos um fim de ciclo e mais uma oportunidade de recalcular a rota.

O cenário de 2026 deixa uma mensagem clara: Campina Grande continua sendo fundamental para Romero, mas já não pode ser sua única grande aposta.

A concorrência aumentou, novos atores surgiram, antigos aliados passaram a disputar espaço e adversários perceberam que é possível avançar sobre territórios que antes pareciam consolidados.

Agora, caberá a Romero decidir o que fazer com essa mensagem das urnas.

Na política, quem não interpreta os sinais corre o risco de repetir os mesmos erros.

E a eleição de 2026 talvez tenha dado a Romero Rodrigues exatamente aquilo que todo político precisa de tempos em tempos: um motivo para parar, olhar para o mapa eleitoral e recalcular a rota.

🗞️ Redação do papo informativo

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