
O podcast papo informativo é rico em histórias de Campina Grande e da Paraíba, no episódio com o professor Hermano Nepomuceno, pudemos conhecer uma interessante história que jamais deve ser esquecida pelo povo campinense, o período obscuro da ditadura militar que deixou sua marca na rainha da borborema.
O relato do professor Hermano Nepomuceno no podcast Papo Informativo traz uma contribuição fundamental para a preservação da memória histórica de Campina Grande.
O período da Ditadura Militar (1964-1985) deixou cicatrizes profundas em todo o Brasil, mas relatos recentes trazem à tona a realidade sombria vivida em cidades do interior, como Campina Grande, onde a repressão agiu com força total longe dos grandes centros.
O “Fleury” de Campina Grande
Um dos pontos mais marcantes do episódio é a atuação do Major Antônio Paulo Câmara , descrito por Hermano Nepomuceno como um “Fleury fardado”, o major é apontado como o responsável por instaurar um verdadeiro regime de terror na cidade. Ele transformou o quartel do exército, localizado na Rua 15 de Novembro, em um centro de tortura e interrogatórios violentos, controlando desde reuniões estudantis até espetáculos teatrais.

A repressão contra a classe trabalhadora
A violência institucionalizada não poupou lideranças populares e sindicais. Em 1970, dirigentes dos sindicatos dos comerciários, bancários, metalúrgicos e sapateiros foram presos. Entre as figuras que enfrentaram a crueldade do regime, destaca-se o nome do ex-vereador José Peba, um sindicalista comunista que foi brutalmente torturado, tornando-se um símbolo da resistência local.
O sequestro da professora Maura Pires Ramos, ocorrido à luz do dia na Escola Estadual da Liberdade, ilustra como o medo foi disseminado em todos os setores da sociedade.
Métodos de tortura e locais de exceção
O episódio com o professor Hermano Nepomuceno detalhou que o horror não se limitava aos quartéis. O regime utilizava “granjas” cedidas por apoiadores para a realização de torturas longe da vista do público. Os métodos relatados, como choques elétricos e torturas físicas, comprovam a brutalidade sistêmica aplicada contra quem se opunha ao governo militar.
A importância da memória
Mesmo com a extinção da Comissão da Verdade em 2014, o trabalho de resgate histórico realizado por figuras como o professor Fábio Freitas permanece fundamental. A luta contra o esquecimento é essencial para que episódios como o da “morte acidental” do Major Câmara — que, segundo os relatos, gerou um sentimento de alívio na população — não sejam os únicos registros sobre esse passado obscuro.
“Na democracia você pode criticar, você pode falar, você pode discordar. Isso é importante”, ressalta o professor Hermano que ao final, destacou que a liberdade e o respeito mútuo são os pilares que impedem o retorno desses dias sombrios.
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