Proibição das bets ameaça retirar mais de R$ 1,4 bilhão do mercado de publicidade de TV e rádio
Setor de apostas foi um dos maiores anunciantes da televisão brasileira em 2025; TV aberta concentrou cerca de 85% dos investimentos

A proibição da exploração e da publicidade das apostas de quota fixa no Brasil deve provocar um impacto significativo no mercado de comunicação, especialmente nas emissoras de televisão. A Medida Provisória nº 1.394, publicada nesta sexta-feira (25), proibiu a publicidade, propaganda, marketing e patrocínio relacionados às bets em meios físicos e digitais.

Pela medida, os materiais publicitários e sinais de patrocínio existentes deverão ser retirados em até dez dias. A proibição também alcança apostas esportivas e jogos online.

O tamanho do mercado atingido ajuda a dimensionar o impacto. Levantamento da Tunad aponta que as empresas de apostas investiram R$ 1,44 bilhão em publicidade em TV aberta, TV paga e rádio durante 2025. A televisão aberta concentrou aproximadamente 85% desse volume.

Isso significa que, considerando apenas o investimento destinado à televisão aberta, o setor movimentou algo próximo de R$ 1,22 bilhão em publicidade ao longo de 2025.

O valor, entretanto, não deve ser interpretado como uma perda direta de R$ 1,22 bilhão para as emissoras. O levantamento mede o investimento publicitário das bets nos diferentes meios, e não necessariamente a receita líquida recebida por cada empresa de comunicação. Além disso, parte desse dinheiro era destinada a rádio, TV paga e outras plataformas.

Bets estavam entre os maiores anunciantes

A força financeira das casas de apostas transformou o setor em uma das principais categorias de anunciantes da televisão brasileira.

Dados da Tunad mostram que o mercado de TV linear — considerando televisão aberta e paga — movimentou R$ 24,5 bilhões em publicidade em 2025. As bets responderam por cerca de R$ 1,4 bilhão, colocando o segmento entre os principais investidores publicitários do país.

O investimento também apresentou forte relação com o calendário esportivo. Em junho de 2025, por exemplo, as bets desembolsaram aproximadamente R$ 164,5 milhões em mídia, o maior volume mensal do ano. Em janeiro, foram R$ 66,7 milhões.

Impacto vai além dos comerciais

A mudança também afeta contratos de patrocínio e ações comerciais vinculadas ao esporte. A MP determina que ficam proibidas as ações de comunicação, publicidade, marketing e patrocínio das empresas de apostas, independentemente do meio utilizado.

Na prática, emissoras, clubes, campeonatos, programas esportivos, eventos e outros segmentos que mantinham contratos comerciais com casas de apostas terão de se adaptar às novas regras.

O efeito econômico, portanto, não se limita aos intervalos comerciais. O mercado de apostas havia construído uma ampla presença no futebol e em outros conteúdos esportivos, tornando-se uma fonte relevante de recursos para diferentes setores da indústria de comunicação e entretenimento.



Um novo desafio para as emissoras

Com a saída das bets do mercado publicitário, as emissoras terão de buscar novos anunciantes para ocupar o espaço deixado pelas empresas de apostas.

Ainda não é possível calcular quanto cada emissora perderá individualmente. Também não há, neste momento, um levantamento consolidado que permita afirmar qual será a redução efetiva de receita de empresas como Globo, Record, SBT, Band e RedeTV!.

O que os números disponíveis mostram é que um mercado publicitário superior a R$ 1,4 bilhão por ano, considerando TV aberta, TV paga e rádio, deixa de existir para as bets dentro do modelo que estava em vigor até a publicação da medida.

Para a televisão aberta, que concentrava cerca de 85% desses investimentos, o impacto potencial é particularmente relevante.

Fonte: Tunad, Medida Provisória nº 1.394/2026 e dados de mercado.

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União Histórica: Clubes deixam rivalidade de lado e peitam o governo contra proibição de casas de apostas
Quatorze clubes da Série A do Campeonato Brasileiro estão se mobilizando e demonstrando forte apreensão contra a Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Lula, que proíbe o funcionamento e a publicidade das casas de apostas no país.

O cenário político e econômico do futebol brasileiro atingiu seu ponto de máxima fervura nas últimas semanas. A assinatura da Medida Provisória (MP) pelo governo federal, que proíbe o funcionamento e a publicidade das casas de apostas no país, desencadeou uma onda de revolta e pânico financeiro nos bastidores de 14 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro. Liderados pelas maiores potências financeiras do país, os clubes iniciaram uma forte mobilização política e jurídica contra o que classificam como um “colapso anunciado” do esporte nacional.
O impacto estimado é avassalador: o mercado de apostas esportivas projetava injetar cerca de R$ 1,1 bilhão no futebol brasileiro na atual temporada. Sem esses recursos, as diretorias de gigantes como Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo alertam para a incapacidade imediata de honrar compromissos básicos e folhas salariais bilionárias já nos próximos meses.

O Rombo Bilionário: Os Contratos em Risco


A dependência do futebol nacional em relação às “bets” é profunda. Quase a totalidade dos clubes da elite estampa marcas de apostas no espaço mais nobre de suas camisas. Veja os valores anuais estimados que estão sob risco iminente de congelamento ou rescisão:

Flamengo (Betano): R$ 268,5 milhões. A diretoria rubro-negra informou internamente que não possui um “plano B” imediato capaz de suprir a perda do maior contrato de patrocínio do país.
Corinthians (Esportes da Sorte): R$ 150 milhões. O clube vive clima de forte apreensão nos bastidores sobre o pagamento de suas obrigações financeiras e parcelas de contratações recentes.
Palmeiras (Sportingbet): R$ 100 milhões fixos. O contrato assinado recentemente para o biênio 2025/2026 foi diretamente atingido pela MP.
São Paulo (Superbet): R$ 80 a R$ 90 milhões. O clube do Morumbi também não enxerga alternativas no mercado tradicional para substituir os valores acordados a curto prazo.
Fluminense (Superbet): R$ 58 a R$ 86 milhões. A diretoria tricolor já recebeu notificações da empresa parceira sobre a possibilidade de rompimento contratual.

Nota: Botafogo (VBet), Cruzeiro (Betnacional), Vasco (Sportingbet), Atlético-MG (H2Bet), Santos (Novibet), Vitória (Bet7k), Grêmio (Pitaco), Remo (Vai de Bet) e Chapecoense (ZeroUm Bet) completam a lista de times com patrocínios máster diretamente asfixiados pela medida.



A Estratégia de Contra-Ataque dos Clubes


Diante do prejuízo histórico, os clubes e as federações estaduais decidiram deixar as rivalidades de lado para adotar uma estratégia de defesa coordenada em três frentes:

Processos contra a União por “Violência Jurídica”: Advogados especializados em direito esportivo já preparam ações judiciais coletivas e individuais contra o governo federal. Os clubes alegam que a MP fere o princípio da segurança jurídica ao quebrar contratos privados legítimos de forma abrupta, sem prever qualquer tipo de transição ou compensação financeira.

O Manifesto das “Dez Perguntas para Lula”: Sob a articulação de lideranças políticas do esporte, os clubes redigiram um documento técnico direcionado ao presidente da República. O texto questiona diretamente o impacto da medida na arrecadação de impostos federais, a perda de empregos no setor e a falta de diálogo prévio com a indústria do esporte.

Pressão por Regulamentação Estrita em vez de Banimento: O argumento central do futebol brasileiro é que a proibição total empurrará o mercado de apostas de volta para a ilegalidade e para o exterior, deixando de arrecadar tributos. Os clubes defendem que a fiscalização e punição a fraudes sejam endurecidas, mas que a atividade econômica legítima seja preservada.

Governo Recua e Sinaliza Abertura para Diálogo


A forte e uníssona reação do mundo do futebol surtiu o primeiro efeito político. Diante do risco real de paralisação de campeonatos e do fechamento de postos de trabalho, o governo federal sinalizou um recuo estratégico na rigidez da medida.


Nos próximos dias, uma reunião de emergência deve ser convocada em Brasília entre ministros de Estado, presidentes de federações e mandatários dos principais clubes. O objetivo do Palácio do Planalto é abrir um canal de negociação para mensurar a crise e tentar desenhar um modelo de transição que evite a falência técnica do esporte mais popular do país.

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Bets terão operações encerradas a partir de 6 de outubro; veja como será a devolução do dinheiro



Uma Medida Provisória publicada nesta sexta-feira (25) estabelece novas regras para o mercado

de apostas de quota fixa no Brasil. A determinação interrompe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das chamadas bets, abrangendo tanto as apostas esportivas quanto os jogos online.

A medida alcança plataformas que funcionam pela internet e também operações realizadas em estabelecimentos físicos. Empresas que possuem autorização ou concessão concedida por governos estaduais ou pelo Distrito Federal também estão incluídas nas novas regras.

As modalidades de loteria que já possuem previsão e autorização na legislação brasileira não entram na proibição.

Com a entrada em vigor da MP, as plataformas ficam impedidas de aceitar novos depósitos ou aportes dos usuários. A divulgação de publicidade, campanhas promocionais e patrocínios relacionados às apostas também passa a ser proibida.

As empresas terão até as 23h59 do dia 5 de outubro para retirar anúncios e materiais de patrocínio instalados em espaços físicos ou veiculados por meio de publicidade exterior.

Quando os sites e aplicativos serão bloqueados?

A Medida Provisória estabeleceu um calendário para o encerramento das atividades e a devolução dos valores que ainda estiverem nas contas dos apostadores.

– 25 de setembro: publicação da MP e início da proibição de novos aportes nas plataformas.
– Até 5 de outubro, às 23h59: usuários poderão solicitar voluntariamente o saque dos valores disponíveis em suas contas.
– A partir de 6 de outubro: sites e aplicativos de apostas deverão ser retirados do ar.
– 7 e 8 de outubro: as empresas deverão encaminhar às instituições financeiras os valores remanescentes, vinculados aos respectivos CPFs.
– De 9 a 14 de outubro: os bancos deverão processar a devolução dos recursos aos apostadores.
– A partir de 14 de outubro: valores cujo pagamento não possa ser concluído pelas instituições financeiras serão transferidos para a Caixa Econômica Federal, que ficará responsável pelo ressarcimento.



Como será feita a fiscalização?

A MP também cria mecanismos para identificar e interromper o funcionamento de plataformas consideradas irregulares.

O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça participarão das ações de bloqueio. A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, poderá utilizar um laboratório virtual para localizar serviços que estejam operando de forma irregular.

Depois da identificação, a SPA poderá comunicar a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que ficará responsável pelo bloqueio dos respectivos domínios.

As medidas de combate também poderão envolver a retirada de aplicativos das plataformas digitais e a interrupção dos meios de pagamento utilizados pelas empresas que estiverem atuando ilegalmente.

A MP ainda institui o Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, sob coordenação da Casa Civil. O objetivo será integrar órgãos públicos em ações de prevenção, fiscalização e repressão à exploração, oferta e publicidade irregular de apostas.

Multas podem chegar a R$ 2 bilhões

O descumprimento das novas determinações poderá resultar em penalidades para pessoas físicas e empresas. Entre as punições previstas estão advertências e multas que podem alcançar R$ 2 bilhões.

Para as empresas, também poderão ser aplicadas medidas como a suspensão parcial ou integral das atividades.

Governo propõe novos crimes relacionados às bets

Além da MP, o governo federal apresentou um Projeto de Lei com propostas para definir crimes relacionados às apostas de quota fixa.

Diferentemente da Medida Provisória, o projeto ainda precisa passar pela análise e aprovação do Congresso Nacional para que as novas regras penais possam entrar em vigor.

Entre as condutas previstas estão:

– Explorar apostas de quota fixa, mesmo quando houver autorização concedida por autoridade estrangeira: pena de reclusão de 4 a 6 anos.
– Divulgar apostas ou captar apostadores: reclusão de 2 a 4 anos, além de multa.
– Utilizar dados pessoais para atrair apostadores: reclusão de 2 a 4 anos e multa, com possibilidade de aumento da pena em situações específicas.
– Facilitar financeiramente a exploração de apostas: reclusão de 2 a 4 anos e multa.
– Fornecer aplicações de internet destinadas às apostas: reclusão de 2 a 4 anos e multa, com agravamento em situações envolvendo mecanismos para burlar controles de idade ou localização ou quando houver direcionamento a crianças e adolescentes.

Empresas não terão direito a indenização

A MP também determina a extinção das autorizações concedidas para a exploração das apostas de quota fixa.

Segundo o texto, a medida é fundamentada no interesse público e não gera direito a indenização por investimentos realizados, lucros que deixariam de ser obtidos ou expectativa de continuidade das operações.

Também não está prevista a restituição, integral ou parcial, dos valores pagos pelas empresas pelas respectivas outorgas.

Até o momento, 85 autorizações foram concedidas para a exploração de apostas de quota fixa no Brasil. Cada autorização teve custo de R$ 30 milhões, totalizando aproximadamente R$ 2,55 bilhões pagos pelas empresas.

As novas regras estabelecem, portanto, um cronograma para o encerramento das operações, a retirada de publicidade e a devolução dos recursos ainda existentes nas contas dos usuários.

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