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Por Ricardo Meneses
A derrota de Romero Rodrigues nas eleições do último domingo ainda repercute nas rodas de conversa da política paraibana. E, naturalmente, o resultado ganha uma dimensão ainda maior quando analisado a partir de Campina Grande, principal reduto eleitoral do ex-prefeito e deputado federal.
Os números ajudam a entender o tamanho do recuo.
Em 2022, Romero recebeu 69.292 votos em Campina Grande, o equivalente a 32,42% dos votos válidos para deputado federal no município. Quatro anos depois, em 2026, sua votação caiu para 51.973 votos, correspondentes a 22,78%.
Na prática, foram 17.319 votos a menos na cidade.
Mas o que explica essa queda?
O desgaste provocado pela indefinição de 2024
Um dos fatores que precisam ser considerados é o desgaste político provocado pela indefinição em torno da eleição municipal de 2024.
Naquele período, havia uma expectativa considerável em setores da oposição de que Romero Rodrigues disputasse novamente a Prefeitura de Campina Grande. Isso, porém, não aconteceu.
O espaço político da oposição acabou sendo ocupado por Jhony Bezerra, que se tornou o principal adversário do prefeito Bruno Cunha Lima na disputa municipal.
Mesmo sem vencer a eleição, Jhony saiu de 2024 fortalecido politicamente. A candidatura à Prefeitura lhe proporcionou visibilidade, estrutura política e uma base eleitoral própria.
Esse capital político foi levado para a eleição de 2026, quando Jhony disputou uma vaga para deputado federal e obteve aproximadamente 15 mil votos em Campina Grande.
Ou seja, a eleição municipal de 2024 produziu novos atores e novas forças políticas dentro da cidade. E, dois anos depois, esse cenário também passou a influenciar a disputa proporcional.
Parte dos apoios e votos que poderiam estar no campo de Romero passou a ser disputada por outras lideranças.
O chamado “fogo amigo”
Outro elemento importante está dentro do próprio grupo político de Romero.
Na eleição deste ano, alguns aliados também disputaram vagas para deputado federal, concorrendo diretamente pelo mesmo eleitorado de Romero em Campina Grande.
Entre eles estavam:
Carol Gomes: 7.037 votos
Alexandre do Sindicato: 4.185 votos
Nelson Gomes: 3.874 votos
Gerana Gouveia: 3.173 votos
Juntos, eles somaram 18.269 votos em Campina Grande.
É evidente que não se pode afirmar que todos esses votos seriam necessariamente destinados a Romero. Eleições proporcionais possuem dinâmicas próprias, e cada candidato constrói sua votação com base em relações políticas, grupos, segmentos e estratégias diferentes.
Ainda assim, o fenômeno revela algo importante: a base eleitoral que antes poderia estar mais concentrada em torno de Romero passou a ser disputada por outros nomes do seu próprio campo político.
É o chamado “fogo amigo” da política: aliados que, ao fortalecerem seus próprios projetos eleitorais, também acabam disputando espaço dentro da mesma base.
Ruy Carneiro e a expansão da disputa para o entorno de Campina
Outro episódio que merece atenção é a atuação do deputado estadual Fábio Ramalho, que levou Ruy Carneiro para dentro da região metropolitana de Campina Grande, estabelecendo alianças e dobradinhas em municípios vizinhos.
A estratégia merece ser observada porque mostra que a disputa pelo eleitorado campinense não ficou restrita aos limites territoriais da cidade.
Ruy Carneiro terminou a eleição com 102.885 votos, enquanto Romero Rodrigues alcançou 96.445.
A diferença foi de 6.440 votos favoráveis a Ruy.
O resultado demonstra que Romero, apesar de ainda possuir uma força eleitoral significativa, deixou de ter uma posição confortável diante de adversários que passaram a ocupar espaços tradicionalmente associados ao seu grupo.
A principal lição para Romero
Talvez a maior lição deixada pelas urnas para Romero Rodrigues seja justamente a necessidade de desconcentrar sua força eleitoral.
Durante anos, Campina Grande foi uma espécie de fortaleza política de Romero. E continua sendo. Mesmo com a queda, ele permanece como uma das principais lideranças eleitorais da cidade.
O problema é que, em uma eleição proporcional, depender excessivamente de um único reduto pode se transformar em vulnerabilidade.
Quanto mais concentrado está o voto, mais fácil é para os adversários identificarem onde está a força de determinado candidato — e, consequentemente, trabalharem para retirar parte desse eleitorado.
Foi o que a eleição deste ano demonstrou.
Romero ainda possui capital político, mas esse capital precisa ser ampliado territorialmente.
A partir de agora, o caminho mais estratégico talvez seja buscar uma presença mais forte em outras regiões da Paraíba, ampliar alianças, construir novas bases e reduzir a dependência do eleitorado campinense.
Recalcular a rota
A política também exige capacidade de interpretar derrotas.
Romero Rodrigues não saiu das urnas sem votos. Pelo contrário. Foram 96.445 votos em toda a Paraíba. O resultado, porém, acende um sinal de alerta para uma liderança que durante muito tempo teve Campina Grande como seu principal motor eleitoral.
A derrota pode representar menos um fim de ciclo e mais uma oportunidade de recalcular a rota.
O cenário de 2026 deixa uma mensagem clara: Campina Grande continua sendo fundamental para Romero, mas já não pode ser sua única grande aposta.
A concorrência aumentou, novos atores surgiram, antigos aliados passaram a disputar espaço e adversários perceberam que é possível avançar sobre territórios que antes pareciam consolidados.
Agora, caberá a Romero decidir o que fazer com essa mensagem das urnas.
Na política, quem não interpreta os sinais corre o risco de repetir os mesmos erros.
E a eleição de 2026 talvez tenha dado a Romero Rodrigues exatamente aquilo que todo político precisa de tempos em tempos: um motivo para parar, olhar para o mapa eleitoral e recalcular a rota.
🗞️ Redação do papo informativo

Saída de Jô Oliveira para a Assembleia Legislativa abrirá espaço para o petista reassumir mandato na Casa de Félix Araújo
A eleição de Jô Oliveira (PCdoB) para a Assembleia Legislativa da Paraíba terá um efeito direto na política de Campina Grande: Napoleão Maracajá (PT) voltará a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal.
Napoleão é suplente da federação formada por PT, PCdoB e PV e assumirá a vaga deixada por Jô após a saída da vereadora para exercer o mandato de deputada estadual.
O retorno marca a volta de um político que já teve atuação na Casa de Félix Araújo e que, nas eleições municipais de 2024, recebeu 3.667 votos na disputa por uma vaga no Legislativo campinense.
“Serei fiscal do povo”
Em declaração ao Papo Informativo, Napoleão afirmou que retorna ao Legislativo com “muita alegria, serenidade e experiência”. O petista também deixou claro que pretende adotar uma postura de fiscalização da administração municipal.
“Não faço oposição por fazer, mas sou alguém que vai passar a ser, a partir do próximo ano, fiscal do povo”, afirmou.
Segundo Napoleão, acompanhar a qualidade dos serviços públicos e a aplicação dos recursos municipais estará entre suas principais prioridades. Ele também pretende apresentar projetos de lei e retomar pautas que marcaram suas passagens anteriores pela Câmara.
Críticas à situação dos servidores
Ao falar sobre o cenário de Campina Grande, Napoleão fez críticas à situação dos servidores públicos municipais e afirmou que a cidade atravessa um período de crise.
“Lamento a crise que Campina Grande está passando. Os servidores públicos vivem possivelmente a pior crise da história”, declarou.
O futuro vereador afirmou estar “muito disposto” para a nova etapa e agradeceu aos eleitores campinenses pela oportunidade de retornar ao Legislativo.
A chegada de Napoleão deve acrescentar uma nova voz ao debate político da Câmara de Campina Grande, especialmente nas discussões envolvendo fiscalização da gestão, serviços públicos e direitos dos servidores municipais.
🗞️ Redação do papo informativo

União Brasil e PP passam a orientar suas bancadas a trabalhar pela eleição do candidato do PL contra Lula
A Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP), decidiu apoiar oficialmente Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo segundo turno da eleição presidencial de 2026.
A definição foi anunciada nesta terça-feira (6), após uma reunião das executivas e das bancadas das duas legendas em Brasília. A decisão ocorreu por unanimidade, com o grupo estabelecendo o chamado “fechamento de questão” em torno da candidatura do senador.
Com a medida, as duas siglas deixam para trás a posição de neutralidade adotada durante o primeiro turno. Naquela fase da eleição, União Brasil e PP permitiram que seus integrantes apoiassem diferentes candidaturas conforme os acordos firmados em cada estado.
Agora, a orientação nacional da federação é pela eleição de Flávio Bolsonaro no confronto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Decisão reúne principais lideranças
O anúncio foi feito após a reunião que contou com dirigentes e parlamentares dos dois partidos. Entre os nomes envolvidos na decisão estão os presidentes nacionais Antonio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) foi uma das responsáveis por comunicar publicamente a decisão e destacou que o apoio foi aprovado de forma unânime.
O posicionamento também determina que a federação trabalhe de maneira coordenada pela candidatura do PL. O fechamento de questão pode resultar em punições internas para integrantes que desrespeitarem a orientação definida pela cúpula partidária.
Mudança acontece após o resultado do primeiro turno
A decisão ocorre dois dias depois do primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro terminou a apuração à frente de Lula e garantiu sua presença na segunda etapa da disputa.
A nova adesão fortalece a busca do candidato do PL por uma base mais ampla entre os partidos do chamado Centrão.
Além do União Brasil e do PP, a campanha de Flávio tenta atrair outras legendas. Republicanos e Podemos estão entre os partidos que mantêm conversas sobre uma possível adesão.
Nos últimos dias, o candidato também recebeu manifestações de apoio de nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Michel Temer, ampliando o movimento de alianças em torno da candidatura.
Apoio muda cenário político do segundo turno
A entrada formal da União Progressista na campanha representa um reforço importante para Flávio Bolsonaro na reta inicial do segundo turno.
A federação possui uma bancada expressiva no Congresso e reúne duas das principais forças partidárias do centro político brasileiro.
A eleição presidencial será decidida em 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro e Lula voltarão às urnas para disputar a Presidência da República.
🗞️ Redação do papo informativo

Programação gratuita acontece no dia 12 de outubro, no Espaço Cultural Shaolin, e também terá apresentação da Camerata Parahyba e do projeto PRIMA
Campina Grande vai comemorar seus 162 anos de emancipação política com uma programação especial voltada à música e à cultura paraibana. As atividades acontecem na segunda-feira (12), no Espaço Cultural Shaolin, no Centro de Convenções Antônio Vital do Rêgo, no bairro de Nova Brasília.
A programação começa às 19h com o concerto “PRIMA – Elas Cantam Campina”, que reunirá dez cantoras naturais de Campina Grande em uma apresentação dedicada à história e à identidade cultural da cidade.
Participam do espetáculo Kátia Virgínia, Elóide Lima, Calliandra Andrade, Daniela Trovão, Adília Uchôa, Eloisa Olinto, Mayana Neiva, Kaline Bertino, Savana Aires e Gitana Pimentel.
O repertório foi preparado especialmente para a celebração e inclui músicas que fazem referência a Campina Grande e à Paraíba, como “Hino de Campina Grande”, “Campina Grande”, “Tropeiros da Borborema”, “Bodocongó”, “No Meu Cariri”, “Saudade de Campina Grande” e “Paraíba Joia Rara”.
Ao final do concerto, as dez artistas se juntam no palco para interpretar “Paraíba Joia Rara”.
A apresentação terá a participação de músicos do Programa de Inclusão Social Através da Música e das Artes (PRIMA), além de professores, alunos, ex-alunos e convidados. A regência será do maestro Rainere Travassos.
Geraldo Azevedo se apresenta às 20h30
Após o concerto, o público poderá acompanhar, a partir das 20h30, o show do cantor e compositor Geraldo Azevedo, que se apresenta ao lado da Camerata Parahyba.
A presença do artista pernambucano é um dos principais destaques da programação preparada para marcar o aniversário da Rainha da Borborema.
A noite também terá uma formação musical diversificada, reunindo instrumentos de cordas, como violinos, violas, violoncelos e contrabaixo, além de instrumentos de sopro, percussão e sanfona.
Entrada é gratuita
O evento será realizado pelo Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, e terá entrada gratuita.
Para participar, o público deverá retirar os ingressos disponibilizados pela organização por meio da plataforma Sympla.
Serviço
Evento: Aniversário de 162 anos de Campina Grande
Data: 12 de outubro
Local: Espaço Cultural Shaolin – Centro de Convenções Antônio Vital do Rêgo, Nova Brasília
Entrada: gratuita, mediante ingresso
19h: PRIMA – Elas Cantam Campina
20h30: Geraldo Azevedo e Camerata Parahyba
🗞️ Redação do papo informativo

O governador reeleito da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), esteve em Brasília nesta segunda-feira (5), on
de participou de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após garantir a reeleição no primeiro turno, Lucas reafirmou o apoio à candidatura de Lula e destacou a importância da continuidade da parceria entre os governos estadual e federal.
Durante a agenda, o governador ressaltou projetos que estão sendo executados na Paraíba com participação do Governo Federal. Entre as iniciativas citadas estão a construção de três novos hospitais, sendo dois deles realizados em parceria com a União: o Hospital de Trauma do Sertão, em Patos, e o Hospital da Mulher do Sertão, em Sousa.
Lucas também mencionou investimentos relacionados à transposição do Rio São Francisco e a expansão da rede de Institutos Federais no estado.
Segundo o governador, a manutenção da articulação entre Paraíba e Governo Federal é importante para garantir a continuidade de projetos e políticas públicas em diferentes áreas.
“Estou aqui em Brasília com o presidente Lula para firmar nosso compromisso com a sua reeleição porque representa a continuidade de obras e projetos importantes para o nosso estado e para o nosso país”, afirmou Lucas em vídeo divulgado nas redes sociais.
A reunião ocorreu um dia depois da eleição estadual, na qual Lucas Ribeiro foi reeleito governador da Paraíba com 64,30% dos votos válidos, totalizando 1.470.252 votos.
Além de Lucas, participaram da articulação em Brasília o senador eleito João Azevêdo (PSB) e outras lideranças políticas que apoiam Lula no segundo turno da eleição presidencial.
Com a agenda, Lucas reforçou sua posição no segundo turno da disputa presidencial e destacou que pretende manter a cooperação institucional com o Governo Federal para dar continuidade aos investimentos e obras em andamento na Paraíba.
🗞️ Redação do papo informativo

O ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, decidiu apoiar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
O anúncio oficial do apoio será realizado nesta terça-feira (6), em Goiânia. Flávio Bolsonaro deverá participar do ato ao lado de Caiado e do governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB).
Caiado terminou o primeiro turno na quinta colocação, com aproximadamente 2,6 milhões de votos, equivalentes a 2,18% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro, por sua vez, foi o candidato mais votado no primeiro turno, com 47,03%, e disputará o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que obteve 45,16%.
Antes de definir seu posicionamento, Caiado afirmou que aguardaria a definição do cenário eleitoral e conversaria com a direção do PSD. O partido, entretanto, decidiu manter neutralidade nacional, liberando diretórios estaduais, parlamentares e filiados para definirem individualmente seus apoios no segundo turno.
Em conversa com o SBT News, Caiado afirmou que apresentará a Flávio Bolsonaro um documento com propostas consideradas convergentes entre os dois projetos, citando áreas como segurança pública, saúde e inteligência artificial.
O apoio ocorre após Caiado ter feito críticas a Flávio durante a campanha do primeiro turno. Em julho, por exemplo, o então candidato do PSD afirmou que, caso Flávio chegasse ao segundo turno, Lula seria reeleito.
Além de Caiado, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) também declarou apoio a Flávio Bolsonaro após o primeiro turno.
Com a definição de Caiado, Flávio passa a contar formalmente com o apoio de mais um dos candidatos que disputaram o primeiro turno. A eleição presidencial será decidida no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
🗞️ Redação do papo informativo

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) ampliou a votação do grupo político bolsonarista no Nordeste nas eleições de 2026, superando em mais de 1,6 milhão de votos o resultado obtido por seu pai, Jair Bolsonaro (PL), no primeiro turno de 2022.
Levantamento com base nos resultados da votação mostra que Flávio recebeu 10.398.973 votos nos nove estados nordestinos, o equivalente a 30,85% dos votos válidos na região. Em 2022, Jair Bolsonaro havia obtido 8.787.394 votos, correspondentes a 26,97% dos válidos.
Na comparação direta entre os dois resultados, Flávio conquistou 1.611.579 votos a mais, um crescimento de aproximadamente 18,3% em relação à votação de Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022. A participação entre os votos válidos também aumentou em 3,88 pontos percentuais.
Crescimento ocorreu nos nove estados
O avanço não ficou concentrado em um único estado. Flávio Bolsonaro registrou votação superior à de Jair Bolsonaro em todos os nove estados do Nordeste.
Os maiores ganhos absolutos ocorreram na Bahia, onde Flávio recebeu cerca de 395 mil votos a mais que Jair em 2022, e no Ceará, com aproximadamente 379 mil votos adicionais.
O Maranhão também apresentou crescimento expressivo, com mais de 255 mil votos de diferença em relação ao resultado de Jair Bolsonaro.
Na Paraíba, Flávio Bolsonaro obteve 831.377 votos, superando os 717.416 votos registrados por Jair Bolsonaro em 2022. O acréscimo foi de 113.961 votos, equivalente a aproximadamente 15,9%.
Ceará e Piauí tiveram os maiores crescimentos proporcionais
Quando o critério utilizado é o crescimento percentual, os maiores avanços ocorreram no Ceará e no Piauí.
No Ceará, a votação de Flávio foi cerca de 27,5% maior que a obtida por Jair Bolsonaro em 2022. No Piauí, o crescimento ficou em aproximadamente 27,1%.
O Maranhão também apresentou alta significativa, de aproximadamente 25,9%.
Já Pernambuco teve o menor crescimento proporcional entre os estados nordestinos, com aproximadamente 6,6%, ainda assim registrando mais de 107 mil votos adicionais em relação ao resultado de Jair Bolsonaro em 2022.
Nordeste continua sendo território de maioria de Lula
Apesar do crescimento da votação de Flávio Bolsonaro, os números não significam que o candidato tenha ultrapassado Lula (PT) na região.
Lula terminou o primeiro turno de 2026 com 21.494.584 votos no Nordeste, equivalentes a 63,77% dos votos válidos. Flávio ficou com 10.398.973 votos, ou 30,85%.
A diferença entre os dois candidatos foi de 11.095.611 votos favoráveis a Lula. Com isso, o Nordeste foi a única região do país em que Lula terminou o primeiro turno à frente de Flávio.
Ainda assim, a distância entre os dois diminuiu em relação a 2022. Naquele ano, Lula terminou o primeiro turno com uma vantagem de aproximadamente 12,9 milhões de votos sobre Jair Bolsonaro no Nordeste. Em 2026, a diferença entre Lula e Flávio caiu para cerca de 11,1 milhões.
O que os números mostram
Os resultados apontam para um crescimento da votação de Flávio Bolsonaro no Nordeste em comparação com o desempenho de Jair Bolsonaro quatro anos antes.
O avanço, porém, não pode ser atribuído exclusivamente à transferência direta de votos de Lula. A análise dos resultados indica que houve também aumento do número de votos válidos na região e redução do espaço ocupado pelos demais candidatos à Presidência.
Outro fator apontado nas análises eleitorais foi a ausência de Ciro Gomes na disputa presidencial de 2026. No Ceará, por exemplo, Ciro havia obtido cerca de 6% dos votos em 2022, parcela que deixou de estar disponível para sua candidatura neste ano.
O crescimento também foi particularmente perceptível na área do Matopiba, região que reúne partes do Maranhão, Piauí e Bahia, além do Tocantins. A região é considerada uma das principais fronteiras de expansão do agronegócio brasileiro.
Números do Nordeste
Jair Bolsonaro – 2022: 8.787.394 votos
Flávio Bolsonaro – 2026: 10.398.973 votos
Aumento: 1.611.579 votos
Crescimento: 18,3%
Participação nos votos válidos: de 26,97% para 30,85%
Os dados mostram, portanto, que Flávio Bolsonaro ampliou de forma significativa a votação obtida por Jair Bolsonaro no Nordeste em 2022. O crescimento ocorreu nos nove estados da região, embora Lula tenha permanecido como o candidato mais votado em todos eles no primeiro turno de 2026.
🗞️ Redação do papo informativo

O candidato apoiado pelo prefeito Bruno Cunha Lima, Vitor Ribeiro, sofreu um revés eleitoral que já repercute nas rodas de conversa política de Campina Grande. A derrota do jovem candidato, apesar da intensa participação do prefeito em sua campanha, acabou atingindo diretamente o grupo político comandado por Bruno.
Durante a campanha, Bruno Cunha Lima assumiu pessoalmente a missão de impulsionar a candidatura de Vitor Ribeiro. Onde Vitor estava, o prefeito também aparecia. Bruno percorreu bairros da cidade ao lado do candidato, participou de visitas e chegou a bater de porta em porta, pedindo votos para aquele que era apresentado como seu principal nome para a Assembleia Legislativa da Paraíba.
Todo esse empenho, porém, não foi suficiente para garantir a eleição de Vitor.
Em Campina Grande, Vitor Ribeiro obteve 10.705 votos, ficando como o quinto candidato a deputado estadual mais votado na cidade. No total da Paraíba, alcançou 12.574 votos. Apesar de uma votação expressiva, o desempenho não foi suficiente para assegurar uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Um dos efeitos mais comentados dessa votação foi o impacto sobre Tovar Correia Lima, que também não conseguiu a reeleição. A força eleitoral de Vitor em Campina Grande acabou disputando espaço diretamente com outros nomes ligados ao mesmo campo político, evidenciando uma divisão de votos que, ao final, não foi suficiente para garantir a eleição de nenhum dos dois.
Mas o resultado de Vitor Ribeiro pode ser lido para além da derrota individual do candidato. Politicamente, a votação acende um sinal de alerta para Bruno Cunha Lima.
O prefeito colocou seu capital político à disposição da candidatura de Vitor. Por isso, o resultado inevitavelmente passa a ser interpretado como um teste à força eleitoral de Bruno na principal cidade do interior paraibano. A pergunta que fica é simples: se o prefeito ainda estivesse vivendo um momento de grande força política em Campina Grande, seria necessário tanto esforço para garantir a eleição de seu candidato?
A eleição de 2026 também deixou uma conta mais ampla para a família Cunha Lima.
O grupo entrou dividido em diferentes projetos na eleição majoritária e terminou o pleito acumulando derrotas importantes. Romero Rodrigues não conseguiu retornar ao cenário que pretendia, Tovar Correia Lima perdeu a reeleição e o candidato escolhido por Bruno Cunha Lima para a Assembleia Legislativa também ficou pelo caminho.
Até mesmo a votação de Cícero Lucena em Campina Grande merece atenção. O prefeito de João Pessoa contou com uma composição que tinha Diogo Cunha Lima, filho de Cássio Cunha Lima, em sua chapa, mas isso não se transformou em uma votação expressiva na cidade.
No caso de Efraim Filho, seu desempenho em Campina Grande também precisa ser analisado com cautela. A força do bolsonarismo na cidade parece ter exercido papel relevante em sua votação, assim como ajudou a impulsionar o deputado estadual Sargento Neto, que ampliou significativamente seu desempenho em comparação com a eleição anterior.
Isso mostra que parte do eleitorado de Campina Grande parece ter se movimentado muito mais por forças ideológicas e nacionais do que necessariamente seguindo as orientações das lideranças políticas locais.
A lição das urnas
A eleição de 2026 deixa, portanto, uma mensagem incômoda para Bruno Cunha Lima e para o grupo Cunha Lima: a máquina política, a presença do prefeito e o peso de uma família tradicional já não são, por si só, garantia de vitória eleitoral em Campina Grande.
O resultado não significa que Bruno tenha perdido completamente sua força política. Mas revela que essa força precisa ser novamente testada, reconstruída e, principalmente, convertida em votos.
Vitor Ribeiro não conseguiu chegar à Assembleia, apesar de ter recebido o apoio direto do prefeito. Tovar perdeu a reeleição. Romero sofreu uma derrota importante. E o grupo, que durante décadas teve enorme influência sobre o eleitorado campinense, terminou a eleição diante de um cenário que exige reflexão.
Mais do que uma derrota de candidatos, 2026 pode ter representado um ponto de inflexão para o grupo Cunha Lima em Campina Grande.
As urnas não decretaram o fim de uma liderança, mas deixaram um recado claro: o eleitor campinense está mais disputado, mais fragmentado e menos previsível. E, daqui para frente, Bruno Cunha Lima terá que provar novamente que consegue transformar sua liderança política em votos — não apenas para seus aliados, mas para o próprio projeto político da família Cunha Lima.
🗞️ Redação do papo informativo

Os deputados estaduais de Campina Grande, Inácio Falcão (PCdoB) e Tovar Correia Lima (MDB), não conseguiram lograr êxito na eleição deste ano para a Assembleia Legislativa da Paraíba.
Inácio Falcão, com forte atuação no município de Campina Grande, estava tentando o quarto mandato consecutivo. Na eleição passada, há quatro anos, Inácio Falcão foi eleito com 24.266 votos e, em Campina Grande, recebeu 13.516 votos.
Por sua vez, neste ano, Inácio perdeu cerca de 2 mil votos, obtendo 22.078 em todo o estado. Em Campina Grande, sua votação não foi tão afetada, pois obteve 12.381 votos, registrando uma leve queda. Inácio ficou na segunda suplência, enquanto o primeiro suplente foi Dr. Romualdo, que obteve 22.222 votos.
Tovar Correia Lima foi outro campinense derrotado nas urnas neste ano. Em 2022, Tovar obteve 23.577 votos, sendo 10.785 somente em Campina Grande.
Na eleição deste ano, Tovar, assim como Inácio, registrou uma pequena queda em sua votação. Obteve 23.152 votos em todo o estado. Em Campina Grande, perdeu cerca de 2 mil votos, alcançando pouco mais de 8 mil eleitores. Com o resultado, ficou na primeira suplência do MDB.
O recorte que chama atenção nesta eleição foi o crescimento dos concorrentes em Campina Grande. Inácio viu a vereadora Jô Oliveira ser eleita com uma expressiva votação na Rainha da Borborema, além do crescimento de outros candidatos do grupo do governador. Tovar Correia Lima, por sua vez, viu a ascensão de Vitor Ribeiro avançar sobre suas bases eleitorais e, mesmo assim, não conseguiu se eleger. A divisão dos votos contribuiu para fragilizar sua pretensão de permanecer na Assembleia Legislativa.
Campina Grande viu Romero, Tovar e Inácio Falcão perderem espaço no cenário eleitoral. Outro nome de peso que também não conseguiu lograr êxito foi Manoel Ludgério, que já contabiliza duas derrotas consecutivas nas disputas por uma vaga na Assembleia Legislativa. Diante desse cenário, fica a pergunta: o que está acontecendo com os políticos tradicionais de Campina Grande?
Jô Oliveira e Sargento Neto lograram êxito e serão os representantes da Rainha da Borborema na Assembleia Legislativa da Paraíba. Na Câmara Federal, permanecem Damião Feliciano e Aguinaldo Ribeiro, ambos políticos de Campina Grande, enquanto que Romero vai precisar recalcular a sua rota para um dia voltar a câmara federal. Já falam até em Romero disputar a prefeitura de Campina Grande, será?
🗞️ Redação do papo informativo

A eleição para a Câmara dos Deputados provocou mudanças importantes na representação da Paraíba em Brasília. Entre os nomes que não conseguiram renovar o mandato estão Romero Rodrigues (Podemos), Mersinho Lucena (PSD) e Luiz Couto (PT).
Apesar de terem trajetórias e bases eleitorais diferentes, os três casos têm algo em comum: a eleição mostrou que, em uma disputa proporcional cada vez mais acirrada, força política, mandato e reconhecimento do eleitorado não são suficientes por si só.
Romero Rodrigues: votação expressiva, mas sem a cadeira
O caso de Romero Rodrigues chama atenção pelo contraste entre sua votação e o resultado final.
O ex-prefeito de Campina Grande obteve uma votação próxima dos 100 mil votos. Na apuração, apareceu com 96.407 votos, desempenho que o colocou entre os candidatos mais votados do estado. Ainda assim, o resultado não foi suficiente para garantir uma das 12 vagas.
O fator decisivo foi o desempenho do Podemos, que conquistou apenas uma cadeira, ocupada por Ruy Carneiro.
Romero acabou, portanto, vítima de uma característica do sistema proporcional: uma boa votação individual não necessariamente se transforma em mandato quando a legenda não alcança força suficiente para ampliar sua representação.
Para Campina Grande, o resultado tem peso político. Romero construiu uma trajetória de protagonismo na cidade, foi prefeito e deputado federal e permaneceu como uma das principais lideranças do município.
A nova configuração da bancada, entretanto, reduz sua presença direta em Brasília e abre espaço para uma reacomodação das forças políticas campinenses.
Mersinho Lucena: o desafio de manter espaço
A situação de Mersinho Lucena passa por outro cenário.
Integrante da atual bancada federal, o parlamentar tentou renovar seu mandato, mas não conseguiu alcançar votação suficiente dentro da composição do PSD.
Mersinho terminou a disputa com pouco mais de 57 mil votos, enquanto Wellington Roberto garantiu a cadeira do partido.
O resultado representa um revés para o grupo político ligado à família Lucena e, particularmente, para a estratégia de manutenção de uma representação forte de João Pessoa na Câmara.
A eleição também demonstrou que a disputa pela bancada federal ficou mais pulverizada. Novas candidaturas conseguiram ocupar espaços que antes estavam nas mãos de parlamentares com mandato.
Luiz Couto: a volta de Ricardo Coutinho muda o cenário
O caso de Luiz Couto tem uma particularidade evidente: a volta de Ricardo Coutinho ao cenário eleitoral.
Candidato pelo PT, o ex-governador conquistou uma das maiores votações da eleição, ultrapassando 160 mil votos e garantindo o retorno à Câmara dos Deputados.
Com a presença de Ricardo na disputa, o espaço eleitoral do PT paraibano passou a ser ocupado por uma candidatura de enorme densidade política.
Luiz Couto, que acumulou uma longa trajetória no Congresso Nacional, acabou não conseguindo acompanhar esse desempenho.
Mais do que uma simples mudança de nomes, o resultado representa uma reorganização interna do campo petista na Paraíba. Ricardo retorna a Brasília com uma votação expressiva, enquanto Couto deixa de integrar a bancada federal.
O que os três resultados revelam
Os três casos ajudam a explicar a dinâmica da eleição de 2026.
Romero Rodrigues mostrou que votação individual elevada pode não ser suficiente quando a legenda conquista poucas cadeiras.
Mersinho Lucena enfrentou uma disputa mais apertada dentro do PSD e não conseguiu alcançar o desempenho necessário para permanecer na Câmara.
Já Luiz Couto teve pela frente uma concorrência de peso dentro do próprio campo político, com o retorno de Ricardo Coutinho.
São situações diferentes, mas que apontam para uma mesma conclusão: a renovação da bancada paraibana foi resultado tanto do surgimento de novas candidaturas quanto da reorganização das forças partidárias tradicionais.
A nova correlação de forças
A próxima bancada federal terá 12 representantes, sendo nove reeleitos e três novos parlamentares: Ricardo Coutinho, George Morais e Pollyanna Werton.
A mudança não representa uma ruptura completa, mas altera o equilíbrio entre os grupos políticos.
O retorno de Ricardo Coutinho recoloca uma liderança histórica do PT no Congresso. George Morais amplia a presença do grupo ligado aos Morais, enquanto Pollyanna Werton chega à Câmara como uma nova representante feminina da Paraíba.
Ao mesmo tempo, a ausência de Romero Rodrigues, Mersinho Lucena e Luiz Couto deixa três espaços políticos que certamente serão disputados nos próximos anos.
Um novo mapa político para 2027
Mais do que apontar vencedores e perdedores, o resultado das urnas desenha um novo mapa de forças na política paraibana.
Em Campina Grande, a saída de Romero da bancada federal abre uma discussão sobre quem ocupará o espaço de liderança deixado pelo ex-prefeito.
Em João Pessoa, o resultado de Mersinho exige uma reorganização do grupo político dos Lucena.
No campo progressista, a chegada de Ricardo Coutinho modifica novamente o equilíbrio interno do PT e de seus aliados.
A eleição de 2026, portanto, não terminou apenas com a definição dos 12 deputados federais. Ela também abriu uma nova disputa pelo protagonismo político da Paraíba.
Papo Informativo — informação, análise e política da Paraíba.