Dos arraiais de bairro ao palco do mundo: a trajetória do Maior São João de Campina Grande

Apresentação de quadrilhas juninas na pirâmide do parque do povo


Por décadas, Campina Grande vem escrevendo uma das mais importantes histórias culturais do Brasil. O Maior São João do Mundo, que hoje atrai milhões de visitantes e movimenta a economia paraibana, não surgiu da noite para o dia. A festa é resultado de uma construção coletiva que atravessa diferentes administrações municipais, começando ainda no final da década de 1970.

A contribuição de Enivaldo Ribeiro: o nascimento da estrutura

Antes de se tornar um evento de projeção nacional, os festejos juninos eram realizados principalmente nos bairros da cidade, com arraiais comunitários e quadrilhas improvisadas.


Entre 1979 e 1982, durante a gestão de Enivaldo Ribeiro, a prefeitura iniciou um processo de organização dos festejos. O prefeito criou o chamado “Palhoção”, uma grande estrutura montada no local onde hoje funciona o Parque do Povo, centralizando as comemorações e dando os primeiros passos para a profissionalização do evento. Pesquisadores apontam essa iniciativa como um marco fundamental para a transformação do São João campinense.

O próprio Enivaldo Ribeiro afirma ter sido o criador da base do evento, enquanto reconhece que outras gestões contribuíram para sua expansão.

Ronaldo Cunha Lima e a criação do “Maior São João do Mundo”


Em 1983, o então prefeito Ronaldo Cunha Lima deu um passo decisivo ao transformar a festa em uma estratégia de desenvolvimento turístico e cultural.

Foi nessa gestão que nasceu oficialmente a marca “O Maior São João do Mundo”. A primeira edição ocorreu em 4 de junho de 1983, em uma grande palhoça montada na área que mais tarde se transformaria no Parque do Povo.

Pirâmide do Paque do Povo foi construída em 1986 e na verdade seria para representar uma fogueira — Foto: Cléa Cordeiro/Memorial do Maior São João do Mundo/Arquivo Pessoal


Três anos depois, em 1986, foi inaugurado o Parque do Povo, equipamento que se tornou o coração da festa e símbolo da identidade cultural de Campina Grande. A famosa Pirâmide também surgiu nesse período.

Parque do povo em 1986



Félix Araújo e a modernização do espaço


Na década de 1990, a gestão de Félix Araújo Filho promoveu avanços estruturais importantes.

O Trem do forró surgiu em 1991


Entre as ações destacadas estão a padronização das barracas, melhorias na iluminação do Parque do Povo e a criação da Cidade Cenográfica, espaço que se tornou um dos cartões-postais da festa.

A Cidade Cenográfica ajudou a fortalecer o caráter histórico e cultural do evento, recriando cenários que remetem à memória de Campina Grande.

A partir de 1999 estrutura do São João no Parque do Povo passou a ter cidade cenográfica — Foto: Cléa Cordeiro/Memorial do Maior São João do Mundo/Arquivo Pessoal



Cássio, Cozete e Veneziano: consolidação e crescimento

Entre 2000 e 2014 o palco principal do São João de Campina Grande era montado na parte de baixo do Parque do Povo — Foto: Taiguara Rangel/G1/Arquivo


As administrações de Cássio Cunha Lima, Cozete Barbosa e Veneziano Vital do Rêgo deram continuidade à expansão da festa.

Nesse período, houve fortalecimento da programação cultural, ampliação da divulgação turística e crescimento da infraestrutura para receber visitantes de diversas partes do Brasil. A marca do Maior São João do Mundo ganhou projeção nacional e passou a figurar definitivamente entre os maiores eventos populares do país.

Romero Rodrigues e a profissionalização

Durante a gestão de Romero Rodrigues, a festa passou por um novo processo de modernização.

A partir de 2017, o modelo de parceria público-privada fortaleceu a estrutura do evento, ampliando investimentos, atrações e capacidade de organização. O São João passou a alcançar números cada vez maiores de público e impacto econômico.

Bruno Cunha Lima e a era da expansão

Na administração de Bruno Cunha Lima, o Parque do Povo passou por uma ampla requalificação e integração com o Parque Evaldo Cruz.

As mudanças ampliaram significativamente a área da festa, permitindo mais conforto ao público e aumentando a capacidade de receber turistas. A edição de 2023 marcou os 40 anos do evento e consolidou Campina Grande como referência nacional em turismo junino.



Uma obra construída por várias mãos

Ao longo de mais de quatro décadas, o Maior São João do Mundo foi sendo moldado por diferentes administrações. Do Palhoção de Enivaldo Ribeiro à criação da marca por Ronaldo Cunha Lima, passando pelas melhorias estruturais de Félix Araújo e pela expansão promovida por prefeitos posteriores, cada gestão deixou sua contribuição.

Hoje, a festa é mais do que um evento cultural: representa a identidade de Campina Grande, movimenta bilhões na economia regional e mantém viva uma das tradições mais fortes do Nordeste brasileiro.

Confira um pouco do nosso arcevo digital do podcast papo informativo sobre o Maior São João do mundo

Entrevista com o ex-prefeito de Campina Grande Enivaldo Ribeiro

Entrevista com Temi Cabral ex-organizador do maior São João do mundo



🗞️ Redação do papo informativo

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