Caso ISEA: seis profissionais de saúde são indiciados após mortes de mãe e bebê em Campina Grande

Inquérito aponta falhas no atendimento de uma gravidez de alto risco e responsabiliza quatro médicos e duas enfermeiras por crime de aborto provocado por terceiro na forma majorada; caso será analisado pela Justiça e pelo Ministério Público.


A Polícia Civil da Paraíba concluiu o inquérito que investigava o caso da morte de um bebê e, posteriormente, de sua mãe, após atendimento no Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (ISEA), em Campina Grande. A investigação resultou no indiciamento de seis profissionais de saúde, sendo quatro médicos obstetras e duas enfermeiras.

O caso ocorreu em março de 2025 e ganhou grande repercussão após denúncias de supostas falhas no atendimento prestado à gestante Maria Danielle Cristina Morais, que apresentava uma gravidez considerada de alto risco. O bebê morreu ainda durante a gestação e, dias depois, Maria Danielle também faleceu em decorrência de complicações de saúde.

Segundo a Polícia Civil, os profissionais foram indiciados pelo crime de aborto provocado por terceiro na forma majorada, previsto no Código Penal. Os nomes dos investigados não foram divulgados.

Jorge Elô é marido dulher que morreu após perder filho e útero em maternidade de Campina Grande — Foto: Reprodução


De acordo com a investigação, houve falhas na condução do parto, incluindo demora na adoção de medidas médicas consideradas necessárias, ausência de intervenções adequadas e utilização inadequada de procedimentos durante o atendimento. O inquérito também aponta indícios de violência verbal e psicológica contra a paciente durante sua internação.

A conclusão da polícia foi baseada em depoimentos de familiares, testemunhas e profissionais envolvidos, além da análise de prontuários médicos, documentos do pré-natal e laudos periciais.

Os exames periciais indicaram que o bebê morreu ainda no útero em decorrência de uma rotura uterina associada à condução do parto. Conforme os laudos, uma intervenção cirúrgica realizada em tempo oportuno poderia ter evitado a morte fetal.

Em relação à morte de Maria Danielle, ocorrida 25 dias após os fatos, a investigação apontou que ela estava relacionada a complicações de uma condição genética preexistente, agravada pelos acontecimentos registrados durante o atendimento. A Polícia Civil informou ainda que não encontrou indícios de crime na atuação da equipe responsável pela cirurgia de emergência realizada posteriormente.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande informou que adotou medidas administrativas desde que tomou conhecimento da denúncia, incluindo a abertura de sindicância e o afastamento cautelar dos profissionais diretamente envolvidos. A pasta também destacou que dois dos profissionais citados na investigação não fazem mais parte do quadro da unidade.

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público da Paraíba e ao Poder Judiciário, que irão analisar as conclusões da investigação e decidir sobre os próximos desdobramentos do caso.

Redação Papo Informativo

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