Fantástico expõe esquema de monitoramento do tráfico comandado por Fatoka em Cabedelo

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Uma reportagem exibida pelo programa Fantástico, neste domingo (10), trouxe novamente Cabedelo para o centro de uma investigação nacional envolvendo crime organizado e possíveis ligações com a administração pública municipal. A matéria mostrou detalhes de apurações da Polícia Federal e do Ministério Público que apontam para a atuação de facções criminosas dentro da estrutura da prefeitura, com influência política, ocupação de cargos públicos e suspeitas de desvios milionários.

De acordo com a reportagem, integrantes do Comando Vermelho teriam passado a controlar ações no município mesmo à distância, diretamente do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. As investigações indicam que a facção conseguiu infiltrar aliados em setores estratégicos da gestão pública de Cabedelo ao longo dos últimos anos.

A matéria destacou ainda que a cidade, conhecida pelo potencial turístico e pelas praias, convive atualmente com problemas urbanos e sociais agravados pela violência e pelo domínio do tráfico em determinadas áreas.

Segundo os investigadores, criminosos utilizavam câmeras clandestinas instaladas em diversos pontos da cidade — apelidadas de “besouros” — para acompanhar movimentações de policiais, agentes públicos e moradores. O monitoramento seria feito remotamente por integrantes da facção.

Entre os nomes citados na reportagem está Fatoka, apontado pelas autoridades como um dos líderes criminosos ligados à expansão do grupo na Paraíba e no Nordeste. Conforme o Fantástico, ele teria iniciado sua trajetória na facção Nova Okaida antes de criar a Tropa do Amigão, considerada um braço do Comando Vermelho na região. Contra ele existem diversos mandados de prisão relacionados a tráfico de drogas, homicídios e organização criminosa.

A reportagem relembrou ainda a fuga em massa registrada em um presídio de segurança máxima da Paraíba, quando dezenas de detentos escaparam após explosões dentro da unidade. Segundo as investigações, a comunicação entre criminosos dentro e fora do presídio teria sido decisiva para a ação.

Após voltar ao sistema prisional, Fatoka conseguiu liberdade mediante monitoramento eletrônico em 2018, mas rompeu a tornozeleira no mesmo dia e fugiu para o Rio de Janeiro. Mesmo foragido, ele continuaria comandando ações criminosas na Paraíba, conforme apontam as investigações.

Áudios exibidos pela reportagem mostram supostos integrantes da facção discutindo estratégias de expansão territorial e fortalecimento da organização criminosa em bairros de João Pessoa. Em uma das gravações, Fatoka afirma que nenhuma decisão nas áreas dominadas seria tomada sem sua autorização.

As investigações também indicam que a atuação da facção teria ultrapassado o tráfico de drogas, alcançando diretamente setores políticos e administrativos de Cabedelo. Segundo o material apresentado, haveria loteamento de cargos públicos, esquemas de rachadinha e utilização da máquina pública para favorecer integrantes ligados ao grupo criminoso.

O programa citou ainda que quatro prefeitos de Cabedelo foram mencionados em investigações relacionadas ao caso. O ex-prefeito Leto Viana deixou o cargo durante o andamento das apurações. Já André Coutinho teve o mandato cassado pelo TRE, enquanto Edvaldo Neto foi afastado pouco tempo após assumir a prefeitura.

Atualmente, a gestão municipal está sob comando do presidente da Câmara, José Pereira, que comentou durante a reportagem sobre o impacto da crise política e administrativa enfrentada pela cidade.

Conforme o Ministério Público, uma empresa terceirizada contratada pela prefeitura teria sido utilizada para desviar recursos públicos e facilitar a entrada de aliados da facção em cargos municipais. A empresa citada foi a Lemmon Terceirização e Serviços, sediada em Olinda.

As investigações apontam que o esquema teria provocado prejuízo estimado em R$ 270 milhões aos cofres públicos. Segundo os investigadores, pessoas ligadas ao grupo criminoso eram inseridas na folha de pagamento da prefeitura e também da Câmara Municipal.

Em depoimento, a ex-gerente financeira da organização criminosa, Ariadna Barbosa, afirmou que indicados pela facção eram nomeados para funções públicas dentro da estrutura municipal.

A reportagem também mostrou que políticos aliados teriam livre circulação em comunidades dominadas pelo tráfico, enquanto adversários políticos enfrentariam restrições de acesso nessas regiões.

Questionado sobre o contrato com a empresa investigada, o procurador-geral da Prefeitura de Cabedelo, Leonardo Nóbrega, afirmou que a atual gestão pretende anular o vínculo de forma gradual para evitar impactos nos serviços públicos e nos trabalhadores contratados.

Em nota exibida pelo Fantástico, a Lemmon Terceirização e Serviços negou irregularidades, informou que possui centenas de funcionários atuando em Cabedelo e declarou estar colaborando com as investigações.

A defesa de Fatoka afirmou que não existem provas que o liguem aos fatos investigados e declarou que ele nega participação nas acusações. Segundo a polícia, o criminoso segue foragido no Complexo do Alemão.

Já as defesas de Vitor Hugo, Edvaldo Neto e André Coutinho negaram qualquer envolvimento com organizações criminosas ou irregularidades apontadas pelas investigações. O ex-prefeito Leto Viana não respondeu aos contatos feitos pela reportagem.

🗞️ Redação do papo informativo

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